Na primeira segunda-feira do mês, dia 1° de junho, durante o lançamento da 5ª edição do Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil no III Workshop de MA da Petrobras, comecei minha fala relembrando minha última participação no evento. Na ocasião, fiz uma provocação simples para quem estava no auditório: quantas pessoas ali realmente se conheciam? A pergunta parecia trivial, mas ajudava a ilustrar uma percepção que vem me acompanhando desde o início desse projeto. O ecossistema brasileiro de Manufatura Aditiva já era ativo, mas muitas das conexões entre empresas, instituições e profissionais ainda aconteciam de forma limitada. Não por falta de interesse, mas porque o setor ainda não se conhecia.
E foi justamente dessa necessidade, de dar mais visibilidade ao ecossistema e aproximar seus diferentes atores, que nasceu o Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil. Quando lancei a primeira edição do Mapa, em 2024, o objetivo era justamente ajudar a responder uma pergunta que aparecia com frequência nas minhas conversas com empresas e profissionais da área: afinal, quem atua e apoia a Manufatura Aditiva no Brasil?
Naquele momento, a principal necessidade era dar visibilidade ao setor, identificar seus participantes e criar uma referência que permitisse entender melhor a estrutura desse mercado em crescimento.
Dois anos depois, olhando para a trajetória das cinco edições, percebo que o projeto acabou acompanhando uma transformação muito maior. Mais do que mapear empresas e instituições, o trabalho vem permitindo observar a evolução do próprio ecossistema brasileiro de Manufatura Aditiva. E a principal conclusão desta nova edição é bastante positiva: o setor amadureceu.
Um ecossistema mais estruturado
Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de visitar empresas, participar de eventos, acompanhar projetos e conversar com profissionais de diferentes segmentos da Manufatura Aditiva. Em praticamente todas essas interações, uma percepção passou a se repetir: o mercado brasileiro continua enfrentando desafios importantes, mas está muito mais estruturado do que anos atrás.
Esse amadurecimento pode ser observado de diversas formas. Há mais empresas especializadas atuando no setor, mais equipamentos instalados, mais aplicações industriais sendo desenvolvidas e uma participação cada vez maior de instituições de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, cresce o número de profissionais com conhecimento nas tecnologias de MA, contribuindo para elevar o nível técnico das discussões e acelerar sua adoção em diferentes segmentos da indústria.
Outro aspecto importante é que a conversa também mudou. Se há alguns anos grande parte dos debates ainda estava concentrada em explicar o que era a impressão 3D e quais eram suas possibilidades, hoje as discussões estão muito mais voltadas para aplicações, retorno sobre investimento, qualificação, certificação e integração aos processos industriais. Esse é um dos sinais mais claros de maturidade de qualquer mercado.
Os números da 5ª edição
A nova edição do Mapa reúne 249 empresas e instituições mapeadas em todo o país, consolidando o levantamento mais abrangente já realizado sobre o ecossistema brasileiro de Manufatura Aditiva. Entre elas estão fornecedores de equipamentos e materiais (92), prestadores de serviços (84), instituições de ciência e tecnologia (52), startups (21) e eventos especializados dedicados ao desenvolvimento do setor (14).
Mais do que representar um crescimento quantitativo, esses números ajudam a evidenciar a diversidade e a complexidade que o mercado vem adquirindo. Hoje ele envolve universidades, centros de pesquisa, empresas de engenharia, fornecedores de equipamentos e materiais, startups e grandes usuários industriais, formando uma rede muito mais ampla e interconectada.
Essa percepção reforça uma das ideias centrais do projeto desde suas primeiras edições: a Manufatura Aditiva não é construída por um único grupo. Ela depende da interação constante entre indústria, ICTs, startups, prestadores de serviços e fornecedores. É justamente a qualidade dessas conexões que determina a velocidade de evolução do ecossistema.
Quando o PDF começou a mostrar seus limites
Desde a quarta edição do Mapa, uma percepção vinha chamando particularmente minha atenção. O ecossistema estava mudando mais rápido do que o próprio documento. Ao longo dos últimos meses, novas empresas surgiram, outras ampliaram suas operações, laboratórios expandiram suas capacidades e novos investimentos foram anunciados. Em alguns casos, informações levantadas durante a fase inicial da pesquisa já precisavam ser atualizadas antes mesmo da publicação final do material. Isso me levou a refletir sobre algo importante.
Durante muito tempo, o PDF cumpriu muito bem seu papel. Ele permitiu organizar informações, dar visibilidade ao setor e servir como referência para profissionais, pesquisadores e empresas. No entanto, à
medida que o ecossistema cresceu, ficou claro que apenas atualizar um documento periodicamente já não seria suficiente para acompanhar a velocidade das transformações do mercado. O desafio deixou de ser apenas registrar informações. Passou a ser mantê-las vivas.
Do Mapa à Plataforma Aditiva Brasil
Foi justamente dessa necessidade que surgiu a evolução do projeto para a plataforma Aditiva Brasil. Mais do que uma mudança de formato, trata-se de uma mudança de propósito.
Nas primeiras edições do Mapa, o principal objetivo era descobrir quem existia. Agora, o foco passa a ser facilitar a conexão entre quem já faz parte do ecossistema. Isso significa permitir buscas mais rápidas, atualizações contínuas, visualizações geográficas, filtros inteligentes e novas formas de encontrar competências, parceiros e oportunidades dentro do mercado brasileiro.
Na prática, o Mapa deixa de funcionar apenas como uma fotografia periódica e passa a atuar como uma infraestrutura digital para o setor, construída para acompanhar o crescimento do ecossistema e apoiar sua evolução nos próximos anos.
O próximo ciclo
Acredito que a Manufatura Aditiva brasileira está entrando em uma nova fase. Nos últimos anos, o foco esteve na construção de capacidades: aquisição de equipamentos, desenvolvimento de competências, formação de profissionais e criação de infraestrutura. Esse trabalho continua sendo fundamental, mas começa a surgir uma nova necessidade.
À medida que o ecossistema amadurece, temas como inteligência de mercado, posicionamento, colaboração e geração de conexões passam a ganhar relevância crescente. Os mercados mais fortes não são necessariamente aqueles que possuem mais empresas ou mais equipamentos. São aqueles que conseguem conectar conhecimento, demanda e capacidade de execução de forma eficiente.
Talvez esse seja o principal aprendizado que o Mapa me proporcionou ao longo desses últimos anos. O valor de um ecossistema não está apenas em seus participantes individualmente, mas na capacidade que eles têm de trabalhar juntos. Por esse motivo, estamos evoluindo com a área logada da Plataforma Aditiva Brasil, que está em fase de testes, para lançamento em julho de 2026.
Por isso, vejo a 5ª edição do Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil muito mais como uma mudança de fase do que como um simples lançamento. O trabalho de mapeamento continua sendo essencial e seguirá evoluindo nos próximos anos. Mas acredito que o próximo desafio será fortalecer cada vez mais as conexões entre empresas, instituições, startups e profissionais que fazem parte desse mercado.
O ecossistema brasileiro de Manufatura Aditiva já não precisa apenas descobrir quem existe. Agora, ele precisa se conectar de forma mais eficiente. E acredito que esse será um dos fatores mais importantes para definir o futuro da tecnologia no país.
Um agradecimento especial às empresas que apoiaram e patrocinam essa 5ªedição. Patrocinadores Premium: SKA, 3DCRIAR, Orca3D; Patrocinadores Advanced: AVENIR 3D, Cadence, Renishaw Brasil; Patrocinador Startup: Matcis.
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