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Inovação orientada por dados na indústria inteligente

Processos e produtos em operação devem ser aprimorados apenas quando houver necessidade real

Por: Pietro Perrone      Exclusiva

A indústria inteligente pressupõe uma cadeia produtiva na qual os processos operacionais sejam amplamente automatizados, com mínima interferência humana e alto nível de previsibilidade nos resultados. Nesse contexto, até mesmo resultados inesperados — ainda que positivos — não são desejáveis, pois indicam desvios em relação a um sistema que deveria estar plenamente controlado.

Diante disso, surgem reflexões importante: até que ponto devemos inovar ou promover melhorias em algo que já está funcionando adequadamente? Quando e como interferir no sistema operacional vigente? Essas são questões fundamentais que precisam ser avaliadas com cautela.

É comum encontrarmos metas relacionadas à inovação, à melhoria contínua e à excelência operacional nos mais diversos planos de trabalho. No entanto, inovar não significa apenas fazer algo diferente, mas sim gerar ganhos reais e mensuráveis no desempenho global do processo. Da mesma forma, melhorias não devem ser implementadas sem uma necessidade clara ou sem a devida análise do impacto no sistema como um todo.

Qualquer iniciativa de inovação ou melhoria só faz sentido quando aplicada sobre processos bem conhecidos, com domínio de suas variáveis e baseada em dados confiáveis. Caso contrário, há grande risco de desperdício de tempo e recursos, além da possibilidade de gerar desequilíbrios operacionais.

Não é possível melhorar aquilo que não se conhece. A qualidade dos indicadores está diretamente ligada à consistência das informações que os alimentam. Na prática, análises mais aprofundadas frequentemente revelam inconsistências, exigindo revisões de decisões e ajustes em projetos. Além disso, é natural que os processos sofram algum nível de acomodação ao longo do tempo, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.


Antes de qualquer intervenção, algumas perguntas são essenciais:

  • Os dados disponíveis são confiáveis? Qual é sua origem, composição e variabilidade?
  • Os indicadores representam fielmente a realidade da operação e atendem às necessidades do negócio?
  • Existe, de fato, necessidade de inovação? Qual será seu impacto e abrangência?
  • Quais são os possíveis efeitos colaterais, incluindo custos intangíveis e impactos na eficiência?
  • A melhoria agregará valor percebido pelo cliente?
  • Qual é o ciclo de vida restante do produto ou serviço?

Outro desafio relevante está no equilíbrio entre a resistência à mudança e a incerteza dos resultados. Essa combinação pode levar à inércia e à falsa percepção de que não há necessidade de evolução. Por isso, a definição de critérios claros para a implementação de melhorias e inovações dentro do planejamento operacional é fundamental.

Uma base de dados sólida, atualizada e bem estruturada é indispensável para garantir previsibilidade e apoiar a tomada de decisão. A inovação não deve comprometer os objetivos do negócio, nem gerar desorganização, retrabalho ou inconsistências. Melhorar um processo enquanto se prejudica outro não traz benefício algum ao sistema.

Processos e produtos em operação devem ser aprimorados apenas quando houver necessidade real. A busca por inovação não deve ser guiada por tendências ou modismos, mas sim por análise, estratégia e propósito. Ao mesmo tempo, é essencial preservar o aprendizado obtido — tanto dos acertos quanto dos erros — para que futuras iniciativas sejam mais eficazes.

Essa disciplina é ainda mais crítica na indústria inteligente, onde os processos são altamente integrados. Intervenções mal planejadas podem gerar descontrole operacional, não conformidades e transformar uma cadeia estruturada em um sistema fragmentado.

Medir é, essencialmente, comparar — e somente com dados confiáveis é possível fazer isso de forma consistente.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Pietro Perrone

Pietro Perrone

Indústria Inteligente


  • Mais de 45 anos de comprovada experiência em indústrias multinacionais, ocupando posições de Presidente, Vice-Presidente, Diretor Industrial, Gerente de Manufatura, Engenheiro de Manufatura, Gerente de Engenharia de Manufatura, Gerente de Produção.

  • Especialista em ambientes industriais de grande, médio e pequeno porte, engenharia e desenvolvimento de produto, manufatura, ferramentaria e manutenção/facilidades, programas de qualidade e certificações, planejamento e controle de produção, controle de estoques e compras.

  • Gerenciamento de projetos de específicos para desenvolvimento de novos negócios, restruturações de negócios e empresas, lançamento de novos produtos e evidente liderança multidisciplinar dos times envolvidos.

  • Sólidos conhecimentos nas áreas de Vendas e Marketing, Administrativo, Financeiro, Logística e Distribuição, Custos e Preços, Margens Operacionais e Contribuição.

  • Conhecimento das novas tecnologias Digitais para Gestão de Empresas.

Acompanhe a coluna de Pietro Perrone e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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