Antes de começar a ler este artigo, pare um instante para pensar: quantas empresas você conhece que produzem ótimos produtos, porém entregam péssimos serviços; ou cujos serviços são maravilhosos, mas os produtos deixam muito a desejar?
É enorme a quantidade de empresas que investem fortunas na obtenção de produtos ideais, mas, por outro lado, pecam terrivelmente na prestação de seus serviços, fornecendo um péssimo atendimento na venda, não cumprem os prazos de entrega, entregam produtos errados e, na grande maioria das vezes, falham na assistência técnica e na garantia pós-venda.
Quantas empresas você conhece que exibem seus sites suntuosos e caríssimos na web, porém totalmente complicados e dificultosos em seus preenchimentos, com péssima trafegabilidade operacional e tempo de resposta irritantemente demorado? Tentam transmitir uma maravilhosa percepção da empresa, porém se esquecem que o ambiente digital aceita tudo, porém, na vida real, a coisa é completamente diferente.
Existem vários casos em que empresas tentam explicar o inexplicável e omitem dados importantes aos seus clientes potenciais, fazendo com que eles tomem decisões e caminhos inapropriados durante o processo de aquisição.
É praticamente generalizada a ausência detalhada das características técnicas e da aplicabilidade ideal de seus produtos, detalhes de todos os seus benefícios/malefícios versus os dos principais concorrentes, valores de aquisição e custos de manutenção.
No desespero de tentar vender cada vez mais seus produtos, algumas empresas tornam a web um circo a céu aberto, onde se sujeitam a todos os tipos de intempéries e fragilidades que afetam diretamente suas cadeias produtivas.
Quando falamos em Indústria Inteligente, estamos falando de absoluta transparência operacional, com uma filosofia específica de trabalho, onde o engajamento de todas as áreas e departamentos deve ser único, lógico e coerente, seja ela de produtos ou de serviços.
Independentemente de ser ou não versão 4.0, uma indústria pode ser mais ou menos inteligente, dependendo, logicamente, da eficácia operacional de sua cadeia produtiva.
Essa inteligência vai ser maior ou menor em função da congruência de suas áreas operacionais estarem ou não voltadas para os objetivos do Plano Mestre de Negócio, ou Business Plan, como muitos conhecem.
Muito se enganam aqueles que imaginam ter uma indústria 4.0 confinando essa filosofia de trabalho somente na área fabril, esquecendo-se das demais.
A filosofia Indústria Inteligente, acima de tudo, vem acompanhada de uma metodologia de trabalho exclusiva, onde as mais diversas áreas de atuação devem se estabelecer em um mesmo patamar operacional, e o seu desenvolvimento sempre elaborado em conjunto.
Um mesmo fluxograma operacional deve obrigatoriamente ser idealizado, com todos os passos e processos devidamente posicionados e priorizados.
Desde o presidente da empresa até o atendente da portaria devem estar engajados nesta filosofia de trabalho, sempre falando o mesmo idioma e utilizando os mesmos critérios operacionais; portanto, não adianta investir fortunas em automação e digitalização, equipamentos e sistemas sofisticados de última geração e planos de qualidade, se os colaboradores continuam pensando somente dentro do seu quadrado e as áreas continuarem a trabalhar de maneira independente umas das outras.
Todos esses fatos citados aumentam a incompetência de uma cadeia produtiva, postergando e dificultando a tomada de decisão por parte de todos os envolvidos e, muitas vezes, levando-os ao erro.
A operacionalidade de uma Indústria Inteligente deve ser planejada de maneira a garantir a total integração das áreas e a efetividade operacional de sua cadeia produtiva, gerando, assim, condições específicas com alternativas claras e redundantes para cada caso de não conformidade. Isso tudo deve estar embutido na mente dos colaboradores, fornecedores e parceiros de maneira geral.
A congruência só existe quando você faz o que fala.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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