Cada vez mais, nos dias de hoje, a integração do ser humano em cada um dos ambientes que frequentamos deixou de ser uma vantagem e passou a ser uma real necessidade. É imprescindível aprendermos, cada vez mais, a lidar diariamente com todo tipo de interferência, contradições e opiniões diversas, todas elas baseadas e fragmentadas em demandas quase sempre pessoais, religiosas e operacionais de cada pessoa ou grupo.
Todos os setores empresariais e comerciais, sem exceção, sofrem com essas possíveis interferências, que dificultam a vida no dia a dia e a operacionalidade de suas cadeias produtivas.
Esse panorama se torna muito mais crítico quando falamos de uma Indústria 4.0, onde a convivência do ser humano com a automatização é constante e, para piorar, ainda temos inúmeras ocorrências frequentes, como mudanças regulatórias, demanda imprevisível, cadeias de suprimentos em constante transformação e crescente escassez de mão de obra qualificada e operacional.
Fica claro para mim que existe um enorme precipício entre as ferramentas tecnológicas disponíveis no mundo e como elas são aplicadas por nós, humanos. Muitas vezes, devido a um relevo de prepotência de nossa parte, fazemos com que um excesso de tecnologia seja aplicado em determinados processos produtivos, os quais, num futuro próximo, se tornarão um peso enorme na balança da incompetência operacional de uma cadeia produtiva.
Infelizmente, não vejo — pelo menos temporariamente — muitas alternativas para a solução desses tipos de problemas, mas, com certeza, eles podem ser amenizados com a resiliência vocacional de alguns colaboradores. Falo especificamente daqueles que carregam o piano nas costas, enquanto os demais ficam elucubrando suas ideias complicadas e monumentais, tentando construir a curva reta.
Dias atrás, li um artigo que dizia o seguinte: “A resiliência não é algo que pode ser incorporado posteriormente a um processo, pois ela deve, antes de tudo, ser incorporada à estratégia do negócio e ao seu sistema operacional e, aí sim, reforçada por meio da tecnologia e da sua cultura.”
Chamo de “resiliência” a paciência e a vontade de um colaborador em resolver problemas de maneira definitiva, corrigindo diretamente a causa e evitando, assim, sua recorrência.
Considero uma empresa resiliente aquela que define seus processos de maneira a satisfazer seus clientes mas, para isso, não estressa seus colaboradores com operações inúteis, difíceis e geradoras de não conformidades.
Devem ser evitados ao máximo aqueles processos glamourosos e complicados, que requerem profissionais específicos e raros para a operação. O ponto-chave é tornarmos um negócio/fabricante resiliente, em vez de nos satisfazermos somente com alguns profissionais resilientes.
Como planejar a resiliência nas mais diversas operações de uma Indústria 4.0?
1) Eficiência x Flexibilidade
Os fabricantes normalmente focam suas operações na eficiência, mas geralmente se esquecem de planejar sua flexibilidade operacional. Uma cadeia produtiva precisa se alternar perfeitamente entre as linhas de produtos, escalar conforme a demanda e adaptar seu volume e cadência rapidamente às flutuações do mercado. Isso significa repensar os processos e investir em tecnologias que suportem a modularidade e a configuração rápida, sejam eles sistemas de controle inteligentes ou de tomadas de decisão.
2) Transformar e/ou capacitar as equipes de reativas a proativas
A utilização de sensores inteligentes e o gerenciamento de dados em tempo real são ferramentas ideais para criar um negócio resiliente, sustentando a eficiência e a flexibilidade operacional. O monitoramento ativo do desempenho e a previsibilidade de não conformidades também são ferramentas que incrementam a resiliência do negócio em suas respectivas operações.
3) Agilidade e Integração do Sistema Operacional
Disponibilizar e manipular dados no momento correto é a principal chave para uma tomada de decisão correta, desde a detecção dos desvios em tempo real até a resolução/correção dos problemas. Fabricantes resilientes conseguem, por meio de plataformas de automação integradas, unificar os controles, priorizar os movimentos e garantir a segurança, sempre disponibilizando uma visão geral em uma única arquitetura.
4) Definir e priorizar parceiros
Fabricantes resilientes priorizam relacionamentos de longo prazo com entidades também resilientes. Na disrupção, o que prevalece é a confiança entre as partes, a sinergia na resolução dos problemas, a transparência e a colaboração mútua. É importante enfatizar que a resiliência só existe quando o negócio é bom para todas as partes, isto é, fornecedores, colaboradores, fabricantes e acionistas.
Construa e preserve sua resiliência, mas tudo dentro do seu limite!
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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