Não tenho a menor dúvida de que a evolução industrial 4.0 é clara e irreversível. Certamente, o ponto principal dessa evolução vem do fato de que ela elimina o improviso operacional e adiciona uma fabulosa ferramenta, que é a previsibilidade dos resultados. Com isso, são eliminados completamente os “achismos” e os chutes dos famosos especialistas de escritório com ar-condicionado, e adere-se a decisões baseadas em dados concretos.
Mesmo assim, utilizando-se todo o aparato tecnológico disponível no mundo, ainda percebo um enorme grau de dificuldade das organizações em operar uma indústria inteligente de maneira eficaz. Apesar de altos investimentos em sistemas de dados, equipamentos de automação, avançadas técnicas de qualidade para processos operacionais e implementação de inúmeros programas organizacionais, ainda assim nos deparamos com operações que vivem um inferno astral no seu dia a dia.
Uma hora tem pedido, mas não tem matéria-prima; outra hora tem matéria-prima, mas não tem pedido; outra hora tem pedido e tem matéria-prima, mas não tem capacidade produtiva; quando há todos os itens descritos até agora, falta mão de obra especializada, e por aí vai para o ralo todo o investimento feito, pois nunca se saberá o resultado final da operação até que ele aconteça. É o pior dos mundos para uma organização que visa lucros e qualidade de seus produtos.
Não vejo a tecnologia como um fim, e sim como um meio, porque ela sozinha não faz milagres. Os periféricos da tecnologia também são importantes e, quando bem aplicados, garantem o resultado operacional.
Mas, na minha humilde opinião, além de toda essa parafernália tecnológica, existe algo que pode trazer um grande diferencial para toda a conjuntura operacional, que é a autonomia profissional. Essa seria a ferramenta ideal a ser dada a todos os colaboradores, sem exceção, de maneira que se tenha um total engajamento técnico e profissional de cada um e de cada grupo, formando, assim, uma cadeia produtiva concisa e coerente em seus objetivos.
A autonomia operacional concebida a cada profissional faz com que ele, ou cada um deles, realmente consiga consolidar as suas maiores qualidades e melhorar seu foco na obtenção dos resultados, mesmo com pequenas incidências de erros. É aí que os profissionais, individualmente ou em grupo, chamam para si toda a responsabilidade da operação e de suas melhorias.
Esse tópico sobre autonomia, bem como detalhes do sistema de remuneração dos colaboradores, deve logicamente ser considerado durante o planejamento dos respectivos planos de negócio. De nada adianta delegar responsabilidades a um colaborador sem a contrapartida financeira.
Toda organização deve cultivar as habilidades de autonomia em seus colaboradores, criando, assim, filosofias específicas de trabalho, seja individual ou em grupo, onde a confiabilidade se torna eficaz e persistente.
Todo colaborador se torna importante para uma empresa a partir do fato de que a empresa é importante para ele.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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