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Canal Indústria 4.0

Manufatura aditiva por deposição a arco: revolucionando a indústria brasileira

Saiba tudo sobre a peça metálica mais pesada já impressa no país utilizando a tecnologia Mada, pesando impressionantes 255 quilos

Por: Luan Saldanha Oliveira     

Recentemente, um marco significativo foi alcançado na manufatura aditiva brasileira: a produção da peça metálica mais pesada já impressa no país utilizando a tecnologia de Manufatura Aditiva por Deposição a Arco (Mada), pesando impressionantes 255 quilos.

Peça fabricada por tecnologia Mada. Imagem: Belgo e Laprosolda

Esse feito não apenas demonstra o avanço tecnológico no Brasil (na pesquisa, desenvolvimento e inovação), mas também ressalta o potencial transformador da Mada para diversos setores industriais.

Neste artigo, exploraremos em profundidade essa tecnologia bastante promissora, suas aplicações, detalhes técnicos e o papel crucial de instituições e pesquisadores brasileiros, como o professor Louriel Vilarinho e o grupo Laprosolda, nesse cenário.

O que é Mada?

A Manufatura Aditiva por Deposição a Arco (Mada), conhecida internacionalmente como Wire Arc Additive Manufacturing (WAAM), é um processo de fabricação aditiva de metais que utiliza um arco elétrico como fonte de calor para fundir um arame metálico, depositando-o camada por camada para construir uma peça tridimensional [1].


Pertencente à família dos processos de Deposição Direta de Energia (DED - Direct Energy Deposition), a Mada se destaca por sua alta taxa de deposição, o que a torna particularmente adequada para a produção de componentes metálicos de grande porte, como o que foi feito recentemente pela Belgo e Laprosolda, com 255 quilos fabricados.

Como funciona?

O processo Mada integra a tecnologia de soldagem a arco com a manufatura aditiva. Um robô ou sistema automatizado controla o movimento de uma tocha de soldagem, que derrete o arame metálico.

Exemplo de peça fabricada por Mada. Imagem: Divulgação

O material fundido é depositado em um substrato, solidificando-se rapidamente para formar uma camada. Esse processo é repetido, camada por camada, até que a peça final seja construída.

A precisão e o controle do arco elétrico, da alimentação do arame e do movimento do robô, são fundamentais para garantir a qualidade e a integridade metalúrgica da peça.

::: Assista ao vídeo

Vantagens da Mada

Algumas das vantagens que podemos citar desse tipo de processo são:

  • Alta taxa de deposição: comparada a outras tecnologias de manufatura aditiva de metais, a Mada oferece taxas de deposição significativamente mais altas, permitindo a fabricação de peças maiores em menos tempo;
  • Custo-benefício: utiliza arames de soldagem, que são materiais mais acessíveis do que os pós-metálicos usados em outras tecnologias de impressão 3D de metal;
  • Flexibilidade de materiais: compatível com uma ampla gama de ligas metálicas, incluindo aços, ligas de níquel, titânio e alumínio;
  • Produção de peças de grandes dimensões: ideal para a fabricação de componentes de grande escala, onde outras tecnologias de MA seriam inviáveis ou muito caras;
  • Reparo: pode ser utilizada para reparar peças danificadas ou adicionar material a componentes existentes, prolongando sua vida útil e reduzindo o desperdício.

O papel pioneiro do grupo Laprosolda e do professor Louriel Vilarinho

No cenário brasileiro da Mada, o Laboratório de Processos de Soldagem e Manufatura Aditiva (Laprosolda) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sob a coordenação do professor Louriel Vilarinho, tem se destacado como um centro de excelência e inovação.

O professor Vilarinho, com uma carreira dedicada às tecnologias de fabricação, é um dos profissionais centrais no desenvolvimento e aplicação da Mada no Brasil [2], junto com sua equipe.

O Laprosolda tem uma equipe dedicada à manufatura aditiva e já imprimiu centenas de peças metálicas que estão efetivamente em uso em setores como óleo e gás, siderurgia, energia e defesa.
Essa quantidade de peças impressas por Mada é um diferencial no país, demonstrando a importância e liderança do grupo para a manufatura aditiva no Brasil.

Peças de grande porte e o marco de 255 quilos

A peça de 255 quilos, mencionada no início deste artigo, representa um novo recorde de peso, demonstrando a capacidade do Laprosolda em produzir componentes de grande volume e massa para a indústria.

Essa peça, desenvolvida em parceria com a Belgo Arames, viabilizou o uso de consumíveis de alto desempenho para o processo Mada [3].

E como isso pode impactar a indústria brasileira?

Aplicações e impacto na indústria

A Mada oferece um vasto leque de aplicações industriais, com potencial para transformar a forma como peças metálicas são projetadas e fabricadas:

  • Óleo e gás: fabricação de componentes complexos para plataformas, tubulações e equipamentos submarinos, com redução de prazos e custos;
  • Siderurgia: produção de peças de reposição sob demanda, otimizando a manutenção e reduzindo o tempo de inatividade;
  • Energia: desenvolvimento de componentes para turbinas, geradores e outras infraestruturas energéticas, com geometrias otimizadas para maior eficiência;
  • Defesa: fabricação de peças personalizadas e de alto desempenho para equipamentos militares, com agilidade e segurança;
  • Indústria automotiva e aeroespacial: embora outras tecnologias de MA sejam mais comuns para peças menores e de alta precisão nesses setores, a MADA pode ser utilizada para prototipagem rápida de grandes componentes ou para reparos estruturais.

O impacto da Mada na indústria vai além da simples fabricação de peças. Ela permite a otimização do design, a redução do desperdício de material, a diminuição do tempo de ciclo de produção e a personalização em massa. Isso se traduz em maior competitividade, sustentabilidade e inovação para as empresas que adotam essa tecnologia.

Conclusão

A Mada é uma tecnologia disruptiva que está redefinindo os limites da fabricação de metais no Brasil e no mundo. O trabalho pioneiro de instituições como o Laprosolda é fundamental para impulsionar essa revolução, superando desafios técnicos e abrindo novas possibilidades para a indústria.

O recorde da peça de 255 quilos é um testemunho do potencial da Mada para a produção de componentes de grande porte, com alta taxa de deposição e flexibilidade de materiais.

À medida que a pesquisa e o desenvolvimento continuam, a Mada se consolidará como uma ferramenta indispensável para a inovação, a competitividade e a sustentabilidade na manufatura brasileira.

Referências

  1. TWI. Wire Arc Additive Manufacturing (WAAM). Disponível em: https://www.twi-global.com/technical-knowledge/job-knowledge/arc-based-additive-manufacturing-137
  2. Louriel Oliveira Vilarinho | FEMEC. Disponível em: https://www.femec.ufu.br/pessoas/docentes/louriel-oliveira-vilarinho
  3. Belgo Arames e Laprosolda produzem a peça metálica mais pesada já impressa em tecnologia MADA no Brasil. Aquecimento Industrial. Disponível em: https://www.aquecimentoindustrial.com.br/belgo-arames-e-laprosolda-produzem-a-peca-metalica-mais-pesada-ja-impressa-em-tecnologia-mada-no-brasil/
*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Luan Saldanha Oliveira

Luan Saldanha Oliveira

Manufatura Aditiva

Engenheiro Mecânico pela Universidade Federal da Bahia, com graduação sanduíche no Instituto Superior Técnico (Portugal), e mestre em Engenharia de Sistemas e Produtos pelo Instituto Federal da Bahia. Possui formação complementar em Transformação Digital e MBA em Gestão e Inovação pela Fundação Getulio Vargas.

Atua no desenvolvimento, difusão e articulação de competências em Manufatura Aditiva aplicada à indústria, sendo criador do Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil e fundador da Aditiva Brasil, iniciativa voltada à conexão entre indústria, tecnologia e inovação.

Acompanhe a coluna de Luan Saldanha Oliveira e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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