Não existe sistema operacional eficaz onde os seus colaboradores são geridos de forma aleatória e conforme o gosto dos seus gestores.
O perfil de gerenciamento a ser adotado na indústria 4.0 deve ser detalhadamente planejado em cada nível de sua estrutura administrativa. Todos os níveis hierárquicos de uma empresa — sejam eles Diretoria, Gerência, Supervisão ou Operacional — devem ter seus perfis de gerenciamento configurados e ajustados conforme as variáveis existentes em seu ambiente operacional.
Na minha concepção, aquele perfil único de gerenciamento que é aplicado a todos os colaboradores pelos seus respectivos gestores, de forma aleatória e indiscriminada, está totalmente difuso dos objetivos de uma excelência operacional, a qual muitos dizem buscar incansavelmente.
Cada profissional tem sua forma de pensar e trabalhar, então um balanço das necessidades se torna mandatório para a execução dos trabalhos, sejam eles das esferas estratégicas, táticas e/ou operacionais.
Cada cadeia produtiva tem sua própria configuração em função de suas necessidades, portanto, é mandatório que seus gestores e operadores se encaixem em seu contexto operacional.
Uma fábrica de sucos de laranja, por exemplo, deveria ter, obrigatoriamente, um perfil de gerenciamento totalmente diferente de uma montadora de automóveis, onde as concepções industriais são completamente diferentes. Portanto, o perfil de cada gestor deve estar moldado para tal operação.
É condição sine qua non que os gestores saibam como atuar com as características técnicas e com as devidas formalidades em cada situação existente no seu ambiente operacional. Caso não saibam, devem ser treinados e instruídos para tal, sem achismos e sem preferências pessoais.
De nada adianta fazer um enorme investimento de tempo e dinheiro em um projeto de indústria 4.0 se os gestores não souberem como aplicar e praticar o perfil ideal de gerenciamento para aquele sistema operacional.
Para ser um gestor, não basta ter capacidade técnica e intelectual; deve-se também saber lidar com situações diversas e adversas, que ocorrem frequentemente nas esferas operacionais.
O remanejamento ou a integração dos colaboradores deve ser cuidadosamente analisado e validado para cada função, dentro do sistema operacional planejado.
Alguns dias atrás, tive a oportunidade de ler um artigo no LinkedIn sobre micro e macrogerenciamento, onde havia vários comentários/críticas contra e a favor. Tive a sensação de que a grande maioria estava contra o perfil do microgerenciamento, principalmente os relacionados ao desconforto dos colaboradores em relação à falta de autonomia e ao excesso de demandas e controles vindos das suas chefias no dia a dia operacional.
Nesse contexto, diria com muito pouca chance de errar que cada camada dentro da pirâmide organizacional de uma empresa requer perfis de gerenciamento específicos e pontuais.
Além disso, temos ainda inúmeras variáveis existentes em uma cadeia produtiva que podem induzir a diferentes/determinados perfis de gerenciamento, como tipo de produto, tecnologia aplicada, volumes de produção e sistema operacional utilizado.
Aqui vale lembrar algumas das principais camadas dentro da pirâmide operacional:
- Topo: onde se posicionam todos os colaboradores que executam trabalhos estratégicos dentro da empresa. Normalmente, é composto pelo corpo diretor e pela gerência geral da organização. Dentro deste conceito, temos a noção de que, quanto mais alto for o nível dos colaboradores dentro da pirâmide, mais evidente fica a aplicação do perfil macro de gerenciamento. A esse nível cabe definir as estratégias da empresa e analisar a eficácia dos indicadores/resultados — e não ficar cobrando ações dos seus subordinados no dia a dia operacional, pois custam muito caro para as empresas.
- Nível intermediário: normalmente composto pelo corpo gerencial médio da empresa. É onde se posicionam todos os colaboradores que fazem o trabalho tático-operacional, isto é, como se chegar aos resultados esperados pelo plano estratégico definido pelo topo da pirâmide. Neste caso, acredito que um mix entre os perfis gerenciais pode ser admitido, sempre considerando o tipo de cadeia produtiva a ser aplicado.
- Base: onde se posicionam todos os colaboradores que executam o trabalho operacional da empresa conforme as táticas planejadas pelo nível intermediário da pirâmide. Composto pelo corpo de supervisão/encarregados e operadores, executam o trabalho operacional conforme os procedimentos estabelecidos e devem seguir o perfil micro de gerenciamento.
Resumindo: na indústria 4.0, em cada camada da estrutura administrativa de sua pirâmide organizacional, seus respectivos gestores têm como obrigação e responsabilidade — sejam elas estratégicas, táticas ou operacionais — praticar suas atividades com o máximo de disciplina e respeito à hierarquia da organização e ao seu planejamento.
Quem não ajuda, só atrapalha!
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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