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Canal Indústria 4.0

A verdadeira inteligência da indústria 4.0

A indústria inteligente não substitui totalmente os trabalhadores humanos, mas deve promover, sim, uma integração entre tecnologia e capacidade humana

Por: Pietro Perrone      Exclusiva

Como medir o grau de inteligência da cadeia produtiva de uma indústria 4.0? Qual seria o equilíbrio ideal entre o uso da inteligência humana e o uso da inteligência tecnológica? Até que ponto se justificam os investimentos em inteligência tecnológica em detrimento da inteligência humana?

Essas perguntas não são fáceis de serem respondidas. Além disso, podem existir inúmeras respostas para cada uma delas, porém são pontos extremamente relevantes dentro do planejamento de uma cadeia produtiva inteligente.

Como primeiro passo a ser dado, logo no início de um projeto dessa magnitude, é mandatório que se faça uma avaliação detalhada das disponibilidades financeiras e estruturais necessárias para se construir um sistema operacional inteligente o suficiente para atender às demandas estabelecidas previamente no plano de negócio.

Sempre com os pés no chão e a lógica ligada, temos que considerar alguns pontos importantes e fundamentais nesta avaliação.

Primeiramente, temos como aspecto fundamental a questão do montante disponível para investimento no projeto. Esse parâmetro está diretamente relacionado ao nível de inteligência tecnológica e/ou inteligência humana que será aplicado, pois dele derivam os diversos controles e mecanismos de gerenciamento operacional. A partir dessa definição, torna-se possível estabelecer quais atribuições caberão a cada tipo de inteligência disponível, bem como identificar a combinação mais adequada entre elas, de modo a proporcionar maiores ganhos de eficiência e desempenho nas atividades operacionais.

Secundariamente, destacam-se as demandas estruturais, que incluem a necessidade efetiva da inteligência humana, ainda indispensável para a tomada de decisões estratégicas e para o planejamento organizacional. Contudo, observa-se, em muitos casos, certa carência de disciplina operacional e resistência à adoção de práticas contínuas, padronizadas e cadenciadas nos processos internos.


Embora os colaboradores não devam ser tratados apenas sob a ótica de investimento de capital, sua alocação inadequada pode gerar aumento excessivo de despesas, ineficiência operacional e modelos de gerenciamento controversos, comprometendo a produtividade e os resultados esperados do projeto.

Além disso, todas as demandas e suas respectivas variáveis devem ser avaliadas de forma integrada, uma vez que precisam interagir de maneira coordenada para promover o autocontrole do sistema operacional. Essa integração é fundamental para minimizar brechas suscetíveis a erros, falhas e não conformidades, garantindo maior eficiência, confiabilidade e estabilidade aos processos operacionais.

Cabe aos planejadores entender as limitações inerentes a cada uma das inteligências, achar a combinação ideal entre elas que se encaixe no projeto, de maneira a garantir a disciplina necessária para o pleno funcionamento operacional, com previsibilidade dos resultados de maneira consistente e assertiva.

O excesso, a ausência e/ou a sobreposição de qualquer uma dessas inteligências pode comprometer a competitividade. Empresas que não investem neste planejamento, de forma a balancear e cobrir todos os seus processos operacionais com as respectivas inteligências, tendem a apresentar menor eficiência operacional, maiores índices de desperdício e maiores dificuldades de adaptação às exigências do mercado global.

Se, por um lado, a inteligência humana apresenta limitações relacionadas à disciplina operacional, às variações de humor, bem como às diferenças de educação e costumes, por outro, essas desvantagens podem ser compensadas pela inteligência tecnológica, que preserva características essenciais como repetibilidade, cadência e previsibilidade operacional.

Da mesma forma, sabemos que a inteligência humana possui a capacidade de solucionar situações inesperadas, enfrentar crises produtivas e tomar decisões estratégicas complexas. Nesse contexto, trabalhadores disciplinados tornam-se peças indispensáveis para interpretar informações e agir de maneira responsável e eficiente diante dos desafios.

Quanto maior for a integração entre a inteligência humana e a disciplina tecnológica, mais inteligente e eficiente se tornará a indústria. A tecnologia oferece precisão, velocidade e controle, enquanto o ser humano contribui com criatividade, senso crítico e capacidade de tomada de decisão.

Conclusão: a indústria inteligente não substitui totalmente os trabalhadores humanos, mas deve promover, sim, uma integração entre tecnologia e capacidade humana. Nesse contexto, máquinas e sistemas automatizados assumem tarefas repetitivas, precisas e operacionais, enquanto as pessoas continuam essenciais em atividades que exigem criatividade, pensamento crítico, tomada de decisão, inovação e adaptação. Assim, a relação entre humanos e máquinas se complementa, aumentando a produtividade, a eficiência e a qualidade dos processos operacionais.

Tecnologia e disciplina, combinados, formam a base da indústria moderna e inteligente.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Pietro Perrone

Pietro Perrone

Indústria Inteligente


  • Mais de 45 anos de comprovada experiência em indústrias multinacionais, ocupando posições de Presidente, Vice-Presidente, Diretor Industrial, Gerente de Manufatura, Engenheiro de Manufatura, Gerente de Engenharia de Manufatura, Gerente de Produção.

  • Especialista em ambientes industriais de grande, médio e pequeno porte, engenharia e desenvolvimento de produto, manufatura, ferramentaria e manutenção/facilidades, programas de qualidade e certificações, planejamento e controle de produção, controle de estoques e compras.

  • Gerenciamento de projetos de específicos para desenvolvimento de novos negócios, restruturações de negócios e empresas, lançamento de novos produtos e evidente liderança multidisciplinar dos times envolvidos.

  • Sólidos conhecimentos nas áreas de Vendas e Marketing, Administrativo, Financeiro, Logística e Distribuição, Custos e Preços, Margens Operacionais e Contribuição.

  • Conhecimento das novas tecnologias Digitais para Gestão de Empresas.

Acompanhe a coluna de Pietro Perrone e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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