Startup brasileira cria respirador a partir de impressão 3D

Por: Singularity U Brasil 31/03/2020  

Considerado um dos principais hubs de tecnologia do Brasil, o ecossistema de Florianópolis tem na ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) uma de suas principais referências. Em resposta à pandemia global do COVID-19, um grupo de empreendedores de saúde do local vem se reunindo para encontrar soluções que amenizem os efeitos da pandemia.

Anestech Innovation Rising

Leandro Matos, CEO na CogniSigns, Ph.D em neurociência aplicada e faculty de neurociência da Singularity University Brazil integra uma das verticais de negócios da ACATE que busca soluções para o setor da saúde.

“Mensalmente nos unimos para criar ações inovadoras, discutir novos negócios, trazer empresas, então é um grupo bastante ativo. Estamos bastante atentos aos desafios que uma situação de pandemia traz e nosso foco é em criar soluções com agilidade e assertividade”, declara Matos.

Um dos projetos é a criação de respiradores produzidos por impressoras 3D. “Acreditamos que essa iniciativa possa colaborar muito já que um dos grandes gargalos dessa epidemia são os respiradores. Temos a informação de que o governo está comprando quase que a totalidade de aparelhos disponíveis para venda no Brasil e que, inclusive, está pagando à vista – dada a urgência na aquisição. Mas não há aparelhos suficientes. E uma das nossas startups, a Anestech, está bastante empenhada em ajudar”, afirma.


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Com o projeto, que é open source, todos os polos de inovação e lugares que possuam impressoras serão capazes de imprimir esse tipo produto em grande escala.

Para entender um pouco mais sobre como funcionaria a interação de tecnologia e inovação com saúde e uma demanda emergencial, falamos com Diógenes de Oliveira Silva, anestesiologista e CEO/Founder da Anestech Innovation Rising, membro da ACATE.

Como a Anestech pode auxiliar na falta de aparelhos respiradores, fundamentais em meio à pandemia do Covid-19?

Diógenes – A Anestech ajuda a coordenar um grupo multidisciplinar voltado à criação de respiradores produzidos por impressoras 3D. Após a notícia do surgimento de uma impressão 3D capaz de apertar um balão (unidade ventilatória) e achar que haveriam meios melhores de ajudar, veio a ideia. Como anestesista, entendo que a iniciativa de pressionar uma unidade ventilatória mecanicamente vai contra algumas regras de ventilação de pacientes de coronavírus, da Organização Mundial de Saúde. A partir daí, fui em busca de uma solução mais alinhada com as diretrizes da OMS. E encontramos uma alternativa de respirador portátil, que cabe na palma da mão, dispensa energia elétrica e também pode ser modificado para ser produzido através de impressoras 3D.

A partir dessas premissas, consegui traçar relação com um material que já havia estudado sobre um respirador mecânico – inventado por um anestesista brasileiro, na década de 50, o Dr. Kentaro Takaoka. Resgatei esse estudo com diversos especialistas, de engenheiros a designers, sob a coordenação de uma outra startup, a Hefesto (especializada em impressão 3D). Em cerca de 8 horas concluímos a engenharia reversa e, agora, entramos em fase de adaptações. Já demos início à impressão das peças e, na próxima sexta-feira (27), teremos o protótipo. Esse projeto é open source e tem apoio do Hospital Israelita Albert Einstein através de seu núcleo de inovação, a Eretz.bio. Ele será disponibilizado, através de uma iniciativa Criative Commons, para que todos possam ter acesso, testarem em suas impressoras 3D e poderem, inclusive, aprimorar o projeto.

Quais parcerias privadas são fundamentais para que esse projeto saia do papel e chegue à população?

Nessa situação de pandemia, toda iniciativa privada é bem-vinda no projeto. Ventiladores respiratórios robustos que funcionarão 24/7 precisam ser impressos em impressoras robustas que estão nas mãos da grande indústria de impressão 3D; não de impressoras domésticas. A Anestech precisou fazer uma ponte entre a capacidade da impressão 3D e a parte clínica, que aborda a capacidade de se ventilar o pulmão de um paciente em estado grave. Junto com outros players, como designers da Antídoto, encontramos um meio termo entre essas duas pontas. Mas parcerias estatais, também podem viabilizar o aperfeiçoamento da engenharia e a produção.

Já existem tratativas com órgãos governamentais que viabilizem a produção de aparelhos respiradores através de impressoras 3D?

Atualmente, o governo não vem trilhando um caminho baseado em inovação – até por ser um terreno ardiloso, inseguro. A decisão foi de ir pelo caminho tradicional, acessando os estoque de ventiladores convencionais e robustos já produzidos. Inclusive, milhares de aparelhos inicialmente produzidos para empresas do ramo foram confiscados e estão sob a tutela do Governo, que administrará essas unidades. Ainda não há essa interação, mas é algo perfeitamente compreensível, pois o governo atua no terreno que conhece e que oferece mais previsibilidade.

 

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