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Robótica industrial: da necessidade da operação à escolha da tecnologia

A maturidade da robótica industrial não é medida apenas pela quantidade de robôs instalados em uma fábrica

Por: Adrian Covi      Exclusiva

O mercado global de robótica industrial continua em expansão. Em 2024, foram instalados 542 mil robôs industriais no mundo, mais que o dobro do registrado há dez anos. A América Latina também acompanha esse avanço. Segundo projeção da Grand View Research, o mercado regional de robótica industrial, medido em receita, deve crescer a uma taxa média composta anual de 14,2% entre 2026 e 2033. Os números mostram, em outras palavras, que a automação está ganhando espaço nas estratégias fabris. Mas existe uma pergunta que continua abrindo espaços para dúvidas e equívocos: em qual solução uma fábrica deve investir? 

Essa questão ganha relevância porque a escolha do equipamento deve ser resultado de um diagnóstico consistente das necessidades, dos objetivos e das características da operação de cada empresa, e não o ponto de partida de uma estratégia de automação. Uma avaliação criteriosa das características e necessidades da operação é, portanto, fundamental para que a tecnologia adotada esteja alinhada aos objetivos e aos resultados esperados com a automação. 

Não existe uma arquitetura universal capaz de atender todas as fábricas porque não existem operações idênticas, tanto na perspectiva das demandas, quanto na estrutura operacional. Esse é um dos fatores que mais impulsiona a robótica industrial, já que os robôs trazem a flexibilidade necessária para os mais diversos tipos de aplicações, que atendem a essas variadas necessidades de cada indústria.

Por isso, antes de definir em qual tecnologia investir, vale responder a algumas perguntas fundamentais: qual deficiência operacional precisa ser eliminada? O sucesso do projeto é mensurável? O objetivo é aumentar a velocidade do processo, reduzir falhas, melhorar a segurança ou ampliar a capacidade produtiva? Esses fatores orientam diretamente a definição da estratégia de automação a ser adotada.


Diversas respostas, por sua vez, influenciam na decisão: velocidade de ciclo, carga manipulada, precisão e repetibilidade necessárias, área disponível, variedade de produtos fabricados, frequência de mudanças na linha, interação com operadores, necessidade de mobilidade, requisitos de segurança e integração com sistemas existentes são algumas das variáveis que precisam ser analisadas em conjunto.

Por esse motivo, diferentes tecnologias de robótica podem e costumam ocupar papéis distintos dentro de uma mesma estratégia.

Robôs industriais costumam oferecer excelente desempenho em operações que exigem alta repetibilidade, precisão e produtividade. Robôs colaborativos, conhecidos como cobots, tornam determinadas aplicações mais flexíveis ao permitir uma interação mais próxima entre pessoas e sistemas automatizados. Já os Autonomous Mobile Robots (AMRs), ou Robôs Móveis Autônomos, assumem tarefas relacionadas ao transporte interno de materiais, aumentando a eficiência logística e a segurança operacional dentro das plantas industriais e centros de distribuição.

Na prática, essas tecnologias não competem entre si. Elas atuam de forma complementar, cada uma respondendo a uma necessidade específica do processo produtivo.

O mesmo raciocínio vale para a inteligência artificial. Ela não representa uma categoria separada da robótica nem substitui o planejamento da operação. Seu papel é ampliar a eficiência das soluções existentes.

Um exemplo é o Visual SLAM (Simultaneous Localization and Mapping, tecnologia que permite ao robô criar um mapa do ambiente enquanto identifica sua própria posição em tempo real por meio de câmeras e sensores). Ao eliminar a necessidade de alterações na infraestrutura da fábrica, essa tecnologia pode reduzir em até 20% o tempo de comissionamento — etapa de configuração e entrada em operação do equipamento — em comparação aos sistemas baseados em 2D SLAM, acelerando a incorporação de novos AMRs à frota.

O mesmo ocorre com recursos como machine learning, que permite aos robôs aperfeiçoarem seu comportamento a partir dos dados coletados durante a operação, e com os gêmeos digitais, réplicas virtuais de equipamentos ou processos que possibilitam simular alterações antes de implementá-las fisicamente, reduzindo riscos e facilitando a tomada de decisões.

A implementação dessas tecnologias, naturalmente, demanda uma estratégia consistente de digitalização e uma abordagem progressiva costuma produzir resultados mais eficazes. Em vez de automatizar toda a operação simultaneamente, faz mais sentido iniciar por uma aplicação claramente definida, estabelecer indicadores de produtividade, qualidade, disponibilidade ou segurança, medir os resultados obtidos e utilizar esse aprendizado para expandir a automação para outras áreas da fábrica.

Esse caminho reduz riscos, facilita a adaptação das equipes e permite que cada novo investimento seja realizado com base em evidências produzidas pela própria operação.

Pois, no fim, a maturidade da robótica industrial não é medida apenas pela quantidade de robôs instalados em uma fábrica, ela se revela na capacidade de integrar os robôs em soluções coerentes aos objetivos do negócio.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Adrian Covi

Gerente da Linha de Negócios Industries na ABB Robotics Cluster South America

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