Já parou para pensar quantas ações e/ou movimentações desnecessárias você executa diariamente, no seu cotidiano e dentro da sua própria casa? Agora, faça uma projeção desse pensamento para dentro de uma indústria de manufatura e comece a observar exatamente o mesmo. Aposto que ficará surpreso com a quantidade de coisas que são feitas, comandos dados, alertas emitidos, que para nada servem e que poderiam ser substituídos por uma simples automação ou pequena racionalização nos tempos e métodos operacionais.
Quantas operações burocráticas e quanto processamento de dados digitais são feitos sem necessidade alguma, cujos resultados as pessoas sequer olham ou analisam — ou, caso contrário, poderiam ser otimizados com uma simples integração dos sistemas operacionais ou mesmo com a eliminação das famosas planilhas paralelas?
Quantas vezes você precisa dizer seu CPF para comprar um único remédio em uma única farmácia?
Quantas vezes um parafuso é manipulado em uma indústria, desde a hora em que ele entra na portaria da empresa até chegar, já montado, a um produto final colocado no estoque de produto acabado? Quantas operações poderiam ser executadas simultaneamente, em vez de uma a uma?
Quantos dados são digitalizados e/ou processados à toa, pois ninguém os utiliza?
Poderia citar aqui um milhão de exemplos de ações inúteis, nas quais são gerados enormes custos invisíveis — também chamados de custos intangíveis. São aqueles que você não percebe que existem ou faz de conta que não vê, mas são reais, embora difíceis de serem medidos.
Além de não agregarem valor algum aos produtos, atrapalham o andamento operacional e quase sempre são criados por aqueles curiosos que não entendem e não analisam nada do que estão fazendo, criando assim procedimentos inócuos e sem lógica. Entendo que cada um tem sua lógica, porém sua racionalidade deve ser convergente com as demais.
Além do alto custo gerado por essas operações inúteis, elas também acarretam enormes incidências de “não conformidades”, imensa perda de tempo e dinheiro e desvio do foco do trabalho principal. Também estressam os colaboradores ao limite, gerando queda de produtividade, impacto negativo na retenção de talentos, influência negativa nos resultados operacionais e deterioração da imagem da empresa e de seus produtos.
Os custos intangíveis estão espalhados por todos os lados de uma organização; porém, em sua grande maioria, são provenientes dos famosos “band-aids” aplicados naqueles processos incompetentes, que foram mal planejados ou mal implementados.
Também há incidência desses custos naqueles processos que, por sua natureza, geram grandes dificuldades para serem automatizados — seja pelo grau de complexidade, devido às inúmeras variáveis operacionais possíveis, seja pelo alto valor necessário para a automação.
Aqui chegamos a um ponto de reflexão que exige uma difícil tomada de decisão por parte dos planejadores: automatizar ou não automatizar determinados processos ou mesmo determinada cadeia produtiva.
As operações que são extremamente personalizadas, em função do tipo de produto, serviço ou mesmo do tipo de cliente, têm características diferenciadas e necessidades reais. Para um profissional experiente, conhecedor profundo das técnicas específicas em rastreabilidade, localizar e eliminar esses custos dentro dos processos operacionais de uma cadeia produtiva não passa de pura diversão. Falo daqueles profissionais com conhecimento real sobre a essência operacional de uma indústria inteligente — isto é, que entendem perfeitamente onde, como e quando mexer.
Os custos intangíveis podem ser eliminados pela organização com uma simples melhoria em seus processos operacionais, alteração no design do produto final, terceirização de determinados processos ou tecnologias, alteração no sistema de movimentação de materiais ou fretes, balanceamento da cadeia produtiva, alteração na lógica de compras e distribuição, etc.
Na indústria 4.0, tudo que não ajuda só atrapalha!
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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