2022 será um ano divisor de águas para a adoção da IA

A Inteligência Artificial terá um impacto maior na indústria do que qualquer outra ciência ou tecnologia. Sua crescente adoção e uso generalizado indicam que estamos à beira de uma transformação.

Por: Jim Chappell 24/01/2022

Em 1950, o matemático inglês Alan Turing se perguntou se as máquinas poderiam exibir um comportamento inteligente. Passados mais de 70 anos, elas certamente parecem fazê-lo. Seja como assistentes de smartphones, mecanismos de pesquisa úteis que parecem completar seus pensamentos ou como automóveis que alertam sobre situações de tráfego potencialmente perigosas, a inteligência artificial (IA) está ao nosso redor.

No entanto, nós sequer arranhamos a superfície do tremendo potencial da IA. A tecnologia já provou seu valor, com empresas de setores como indústria pesada e Óleo & Gás usando Inteligência Artificial para gerar valor por mais de uma década. Projeções indicam que 2022 pode ser um ano decisivo, com a adoção mais ampla da tecnologia nos negócios e na indústria. À medida que a tecnologia atinge a maioridade, as organizações continuarão investindo nela para otimizar suas operações, reduzir custos, aumentar a eficiência e promover a resiliência das cadeias de valor. Em parte, como resposta à pandemia, a receita global de software de IA deve chegar a US$ 62,5 bilhões este ano, um aumento de 21,3% em relação a 2021, de acordo com o Gartner.

Vamos dar uma olhada em algumas das diferentes maneiras pelas quais a IA pode ser implantada em 2022, e além.

Diferentes formas de IA estão começando a funcionar juntas

O guarda-chuva da IA abrange muitas tecnologias diferentes que são aplicadas de várias maneiras. Algoritmos de aprendizado de máquina (Machine Learning), por exemplo, apoiam-se em modelos de dados para fazer previsões. Já o aprendizado por reforço permite que sistemas inteligentes testem novas abordagens e se adaptem de acordo com o fracasso ou o sucesso. O processamento de linguagem natural ajuda os computadores a se comunicarem com humanos, entre outros casos de uso.

Agora, começamos a ver vários tipos de IA sendo aplicados em um único ambiente de software para fornecer uma solução ainda mais avançada. Esses diferentes subcampos -- cada um, uma tecnologia única -- estão começando a trabalhar juntos para aprimorar a capacidade organizacional e melhorar o valor dos negócios.


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Por meio de uma combinação de Inteligência Artificial e simulação baseada em física, por exemplo, vemos análises de ponta em ação na otimização preditiva de ativos, nas quais prováveis falhas de ativos podem ser previstas juntamente com o fornecimento de um conjunto otimizado de ações para mitigar perdas. O tempo de inatividade da máquina e as perdas de produção podem, assim, ser eliminados, evoluindo ao longo do tempo para máquinas autônomas de autorrecuperação,  economizando potencialmente centenas de milhões de dólares para grandes empresas industriais, o longo do caminho.

Os sistemas de IA transformam a capacidade humana

Os sistemas de IA são um parceiro natural para a inteligência humana, e veremos essa sinergia nos próximos anos, à medida que o mundo adota os conceitos por trás da Indústria 5.0. Os modelos de inteligência artificial já ajudam na tomada de decisões humanas, fornecendo insights baseados em dados para melhorar o valor e a sustentabilidade - algo que a AVEVA chama de Performance Intelligence.

Agora, os computadores estão começando a ter um papel cada vez maior no trabalho pesado e na realização de análises detalhadas para seus parceiros humanos. No processo, os sistemas de IA tornarão os humanos melhores no que fazem. Tarefas repetitivas já foram automatizadas. O próximo passo é reduzir erros com melhores parâmetros de tomada de decisão e maior eficiência.

Ao fornecer orientações sofisticadas e acionáveis aos humanos, a IA expandirá o escopo de nossos trabalhos e nos permitirá fazer mais coisas, com mais rapidez, elevando nossa capacidade e percepção ao longo do caminho.

Sistemas de IA inclusivos e conscientes estão chegando

O uso generalizado da Inteligência Artificial fará com que os humanos deleguem quantidades cada vez maiores de trabalho às máquinas. Nesse contexto, as empresas precisarão pensar nos dados que estão coletando e em como os modelos de inteligência refletem consciente e inconscientemente os preconceitos do mundo real. Quando a IA é aplicada a dados tendenciosos, pode resultar em decisões ruins ou impróprias. Os reguladores também começarão a perceber esses vieses tecnológicos, e a sua eliminação será essencial para que as soluções de IA sejam confiáveis e aceitas.

O resultado disso é que as empresas começarão a adotar soluções de IA responsáveis, baseadas em princípios como justiça e transparência, resultando no uso de conjuntos de dados abrangentes e inclusivos e em melhor governança corporativa.

A simulação baseada em física combinada a modelos de dados de IA pode ajudar a aliviar os vieses de Inteligência Artificial no mundo industrial, um projeto no qual a AVEVA já está trabalhando. O software de simulação modela processos do mundo real e cria pseudo-sensores. Quando estes são introduzidos em um modelo de IA junto com dados de sensores físicos, podem melhorar significativamente o resultado em termos de precisão de previsão e redução de viés.

A IA mudará o mundo como o conhecemos

Como tecnologia, a Inteligência Artificial tem o potencial de transformar a maneira como vivemos e trabalhamos. De plantas industriais a resultados ambientais, a IA terá um impacto maior na indústria e nos negócios do que qualquer outra tecnologia até agora na história do mundo. E ela está apenas mostrando seu potencial e, à medida que progride, terá um impacto crescente em todas as pessoas, em todos os setores.

Assim como a internet começou com o e-mail nas últimas décadas do século XX antes de se expandir para o ambiente conectado ao nosso redor hoje, estamos agora à beira de perceber e criar a natureza multifacetada e o valor da Inteligência Artificial. E seu uso crescente e generalizado indica que 2022 será o início dessa transformação.

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Jim Chappell

Chefe Global de IA e Análise Avançada da AVEVA.