O Governo Federal iniciou a estruturação da Nuvem Brasileira, projeto voltado ao desenvolvimento de uma solução nacional de computação em nuvem com foco em soberania digital, interoperabilidade e domínio tecnológico.
O primeiro passo foi uma Escuta de Mercado realizada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com cerca de 250 participantes do ecossistema de inovação. A iniciativa busca identificar a capacidade dos fornecedores nacionais para atender aos requisitos técnicos da futura plataforma.
Entre as demandas apresentadas estão requisitos de arquitetura, além do controle e da custódia nacional de chaves criptográficas em ambientes de Infraestrutura como Serviço (IaaS).
A proposta, segundo o projeto, vai além de manter dados em território brasileiro. A intenção é garantir capacidade nacional para desenvolver, manter e evoluir as tecnologias utilizadas na prestação dos serviços de nuvem, especialmente os componentes de software.
“Não basta o Estado possuir acesso ao código-fonte. É preciso ter domínio da tecnologia para poder operar e evoluir com a plataforma”, afirmou Felipe Guth, assessor especial do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Interoperabilidade para reduzir dependência tecnológica
A interoperabilidade aparece como outro requisito central da Nuvem Brasileira. A solução deverá ser compatível com hardware de diferentes fabricantes, evitando dependência de uma única tecnologia ou de um número restrito de fornecedores.
“Não queremos criar um aprisionamento a uma tecnologia. Ela deve ser compatível com hardware de múltiplos fabricantes, evitando um ou poucos fornecedores”, disse Guth.
Segundo o MGI, o objetivo é ampliar a capacidade de escolha e decisão do Estado sobre os serviços de nuvem e reduzir riscos de interrupção em situações futuras.
A experiência do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) será utilizada como referência. O órgão atua há mais de sete anos com ambientes de nuvem e, atualmente, opera a chamada Nuvem de Governo.
As estruturas atuais já contemplam aspectos relacionados à soberania de dados, como a manutenção de informações críticas em território nacional e sob jurisdição brasileira. A proposta da Nuvem Brasileira acrescenta a esse modelo a capacidade de desenvolvimento e evolução tecnológica por instituições e equipes nacionais.
Projeto consulta fornecedores nacionais
Após a escuta coletiva, o projeto prevê interações individuais com empresas entre 8 e 25 de setembro, com pedidos de participação até 24 de setembro.
As informações obtidas serão utilizadas para mapear a capacidade de oferta da indústria nacional e apoiar a definição do instrumento contratual para desenvolvimento da solução, que deverá ocorrer em território brasileiro.
A iniciativa envolve ABDI, MGI, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Serpro. O projeto também conta com a atuação do Hubtec, Escritório de Compras Públicas para Inovação da ABDI, dentro da estratégia de utilização das compras públicas para estimular o desenvolvimento tecnológico nacional.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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