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GM inaugura outra fábrica de motores em Joinville, quatro vezes maior

Nova linha instalada em 61 mil m2 recebeu investimento de R$ 1,9 bilhão; antiga planta está desativada
Por: Automotive Business       25/10/2019

Após quase três anos do início das obras, a General Motors inaugurou oficialmente outra fábrica de motores em Joinville (SC), quatro vezes maior que a primeira aberta em fevereiro de 2013 com aporte de R$ 350 milhões. A nova unidade recebeu investimentos de R$ 1,9 bilhão e começou a operar há cerca de um mês, produzindo a moderna linha de motores tricilíndricos 1.0 (aspirado e turbinado) que equipa a nova família Onix produzida em Gravataí (RS) – o sedã foi lançado em setembro e o hatch será em novembro.

Localizada bem ao lado, a antiga planta de 14 mil metros quadrados foi desativada e a produção dos motores 1.4 e 1.0 de quatro cilindros que eram feitos lá foi integralmente transferida para o complexo industrial da GM em São José dos Campos (SP), que já produzia os mesmos modelos e também a versão 1.8. A velha geração de propulsores, com mais de 30 anos de mercado recebendo algumas atualizações, seguirá equipando a geração anterior do Onix, na linha de entrada Joy, e tende a ser gradualmente encerrada nos próximos anos, conforme a demanda.


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A nova fábrica ocupa área de 174 mil metros quadrados e tem capacidade para produzir até 410 mil motores por ano – quase duas vezes e meia mais do que a antiga planta que chegou ao pico de 174 mil/ano. Além dos modelos de 1 litro, até o próximo ano as versões 1.2 três-cilindros aspirada e turbinada também deverão entrar em produção em Joinville.

“A fábrica de Joinville, que já era uma das mais modernas e sustentáveis do mundo, agora é uma das operações de motores com o maior nível de automação, o que foi viabilizado com os investimentos recentes”, disse Marcos Munhoz, vice-presidente da GM América do Sul.

Durante a cerimônia de inauguração oficial na terça-feira, 22, o executivo que se aposenta da GM no fim deste ano lembrou que participou das negociações para a instalação da fábrica de motores em Joinville, no início da década. “Começamos com capacidade de 120 mil/ano e chegamos a 140 mil alguns anos depois com investimentos em produtividade. Mas nada se compara ao que fizemos agora, com investimento muito maior que deu origem a uma planta com alto nível de automação e qualidade”, destacou.

Fábrica 4.0

Quase todas as operações na nova fábrica da GM são robotizadas e interligadas em rede digital, no conceito de manufatura 4.0, em que os equipamentos se comunicam entre si, geram pedidos de componentes e regulam o fluxo produtivo. São duas linhas de usinagem para blocos, outras duas para cabeçotes – os componentes de alumínio fundido são fornecidos pela Nemak, de Minas Gerais – e uma linha de montagem final.

Todas as linhas de usinagem são automáticas de ponta a ponta, robôs colocam e tiram as peças de cada etapa dentro das máquinas CNC. O abastecimento e retirada de componentes prontos é feita por meio de empilhadeiras autoguiadas, que são chamadas pelos funcionários com um simples toque de um botão para trazer peças ou buscá-las para encaminhamento à montagem final. Todas as partes usadas na produção são rastreadas, de forma que é possível saber em qual parte do processo e em qual motor está cada uma.

Segundo a GM, construir a nova fábrica consumiu 410 mil horas de trabalho para instalar 627 equipamentos, incluindo 90 robôs. Foram recebidos 512 contêineres de 15 países com máquinas e componentes para a planta. A produção seriada encontra-se em fase gradual de aceleração, em apenas um turno e ainda com poucas dezenas de funcionários na operação.

A planta de Joinville também é reconhecida por sua sustentabilidade ambiental. Parte da energia consumida é solar, gerada por painéis fotovoltaicos instalados no teto – que também abastecem duas escolas vizinhas. No interior da fábrica as luminárias de LED são autorreguláveis, aumentando ou baixando a intensidade conforme a necessidade. Todos os resíduos industriais e orgânicos são reciclados e tratados, nada é enviado a aterros. As águas das chuvas são reaproveitadas e tratadas por osmose, sem produtos químicos.


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