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Avanço da IA exige que conselhos de administração debatam cibersegurança de forma urgente

Invasores estão usando IA para fazer engenharia reversa dos patches, uma lacuna crescente na comunicação dos riscos

Por: Max Mayorga     

Há cinco anos, a gestão de patches estava praticamente restrita à área de TI. Agendar, implementar, verificar e reportar. Um trabalho técnico importante que raramente chamava a atenção de pessoas fora da equipe responsável. Isso mudou.

Essa transformação é impulsionada por três forças convergentes. Modelos avançados de IA, como o Project Glasswing, da Anthropic, estão acelerando a descoberta de vulnerabilidades em uma escala sem precedentes em apenas 72 horas. E as divulgações públicas de vulnerabilidades já não seguem calendários previsíveis: elas acontecem quando acontecem, em volumes que ultrapassam a capacidade para a qual os programas tradicionais foram projetados.

O resultado aponta que os invasores estão usando a mesma IA para fazer engenharia reversa dos patches, uma lacuna crescente na comunicação dos riscos.

Muitos profissionais de segurança acreditam que os líderes da área não conseguem comunicar de forma eficaz a exposição aos riscos para a liderança mais ampla da empresa; 59% afirmam que essa comunicação é, no máximo, apenas moderadamente eficaz, segundo uma pesquisa da Ivanti.

Quando o risco operacional passa a ser um risco estratégico, essa lacuna deixa o conselho administrativo sem os dados necessários para tomar decisões informadas sobre investimentos, tolerância ao risco e definição de prioridades.

Expondo o verdadeiro risco

A gestão da exposição traduz um cenário operacional complexo em algo que o conselho administrativo pode avaliar e sobre o qual pode agir. Em vez de tratar cada vulnerabilidade divulgada como igualmente urgente, uma abordagem de gestão da exposição estabelece prioridades com base no impacto real para o negócio. Quais ativos são críticos. Quais exposições são efetivamente exploráveis. Onde a redução do risco pode ocorrer com o menor atrito operacional possível.


Ainda segundo o relatório, 83% das organizações já possuem uma estrutura documentada para definir sua tolerância ao risco. Além disso, 79% afirmam quantificar o risco cibernético em seus processos de tomada de decisão. Isso significa que a infraestrutura necessária para tomar decisões bem fundamentadas já existe. O problema é que essas informações não estão chegando ao conselho em um formato que ele consiga utilizar.

O que o CIO precisa fazer agora

O trabalho imediato é simples em conceito, mas complexo na execução: verificar se a estrutura de risco documentada no papel corresponde ao programa de gestão de patches implementado na prática. Se ambos se distanciaram — e, na maioria das organizações, isso já aconteceu — o Apocalipse dos Patches ampliará rapidamente essa lacuna.

Aqui estão três perguntas às quais todo CIO precisa ser capaz de responder quando a próxima divulgação crítica chegar ao conselho administrativo:

  1. Qual é o tempo médio entre a divulgação pública de uma CVE e a remediação no último endpoint afetado em nosso ambiente?
  2. Qual percentual das nossas exposições exploradas mais críticas está sendo corrigido dentro da janela de 72 horas?
  3. Qual é a nossa taxa de resolução das exposições de alta prioridade?

Se você não tiver respostas para essas perguntas, esse já é o principal diagnóstico: a lacuna existe. Se você tiver as respostas, mas os indicadores estiverem seguindo na direção errada, isso é um sinal claro de que o programa precisa ser discutido no nível do conselho administrativo.

A gestão de patches agora é um imperativo estratégico, e não mais uma questão operacional. Isso significa que exige atenção do conselho administrativo, e não apenas da área de TI; requer novas métricas e traz implicações diferentes casos falhe. O papel do CIO é comunicar essa mudança de forma clara — antes que a próxima grande divulgação de vulnerabilidades a imponha à organização.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Max Mayorga

Vice-presidente da Ivanti para a América Latina

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