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A IA não vai salvar operações quebradas

Por: Jeff Winter     

Há uma desconexão crescente entre a forma como as empresas falam sobre IA e como suas operações realmente funcionam. Na sala de reuniões, a conversa gira cada vez mais em torno de operações autônomas, agentes de IA, fluxos de trabalho inteligentes e tomada de decisão mais rápida. No chão de fábrica, em campo e entre as equipes funcionais, a realidade costuma ser muito mais desorganizada: processos inconsistentes, métricas conflitantes, sistemas desconectados e dados que ainda precisam ser limpos manualmente antes que alguém se sinta confortável em utilizá-los.

Essa lacuna está se tornando um dos maiores pontos cegos estratégicos dos negócios.

Não acredito que a maioria das empresas esteja falhando em IA por falta de ambição. Elas estão falhando porque tentam adicionar inteligência a um ambiente operacional que ainda não é estável o suficiente para sustentá-la. A IA não é uma camada mágica colocada sobre o caos operacional para transformá-lo em clareza. Na maioria das vezes, ela apenas expõe a bagunça mais rapidamente. O Índice de Prontidão para IA 2025 da Cisco constatou que apenas 13% das organizações são “pacesetters”, ou seja, estão totalmente preparadas para capturar o valor da IA. Isso deveria fazer qualquer executivo parar para refletir. Não porque a IA esteja fora de alcance, mas porque o acesso à IA já não é mais o diferencial. Prontidão é. 

A verdadeira barreira não é a IA. É a consistência operacional.

A maioria das empresas não tem um problema de inteligência. Tem um problema de consistência.

O processo muda de uma unidade para outra. Os dados mudam de um sistema para outro. Os indicadores mudam de acordo com a área. As decisões mudam dependendo de quem está na sala. O relatório “oficial” existe, mas todos sabem que alguém ainda precisou ajustá-lo manualmente antes de ele chegar à diretoria.


Durante anos, as empresas sobreviveram assim porque as pessoas compensavam as falhas do sistema. Funcionários experientes preenchiam as lacunas. Supervisores conheciam os atalhos. Analistas conciliavam os números. Operadores entendiam o contexto que o software nunca capturou.
A IA muda a equação porque depende da qualidade, do contexto e da repetibilidade do ambiente ao seu redor. Se o negócio é inconsistente, a IA não cria consistência por mágica. Ela aprende com a inconsistência, reage à inconsistência e amplifica a inconsistência. É por isso que acredito que a IA deve ser vista menos como um teste de tecnologia e mais como um teste do modelo operacional. Ela revela se o negócio foi realmente estruturado para operar de forma previsível ou se apenas continua funcionando porque pessoas talentosas estão constantemente absorvendo os atritos do sistema.

O trabalho “chato” se tornou o trabalho estratégico

Muitos líderes querem que a IA tome decisões mais rápidas. Minha pergunta é: mais rápidas com base em quê?

Se os dados não são confiáveis, decisões mais rápidas se tornam apenas discussões mais rápidas. Se as responsabilidades não estão claras, recomendações mais rápidas viram escalonamentos mais rápidos. Se os processos não são repetíveis, a otimização orientada por IA se transforma em um alvo móvel. É aqui que muitas empresas erram a ordem das coisas. Elas começam pela camada mais empolgante: copilotos, agentes, modelos preditivos e fluxos de trabalho autônomos. Mas o valor normalmente fica limitado pelo trabalho menos glamouroso que sustenta tudo isso.

Esse trabalho inclui:

  • Padronizar os processos mais importantes
  • Limpar e contextualizar os dados operacionais
  • Definir quem é responsável pelas decisões e exceções
  • Alinhar KPIs entre funções e unidades
  • Integrar sistemas para que os dados circulem com significado
  • Construir governança que as pessoas realmente sigam

Nada disso soa tão empolgante quanto “transformação com IA”. Mas é esse trabalho que determina se a IA será útil ou apenas impressionante em uma demonstração.

A IoT Analytics reportou que o mercado industrial de IA atingiu US$ 43,6 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 153,9 bilhões até 2030. Mas a parte mais interessante é que os serviços representaram mais da metade do mercado industrial de IA em 2024, sinalizando quanto esforço está sendo direcionado para integração, implantação e operacionalização — e não apenas para compra de software. Isso nos diz algo importante: a parte difícil não é obter acesso à IA. A parte difícil é fazer a IA funcionar dentro da realidade desorganizada de uma operação empresarial. 

Previsibilidade não é inimiga da inovação

Algumas pessoas escutam a palavra “previsibilidade” e assumem que ela significa rigidez. Eu vejo isso de forma diferente.

Previsibilidade é o que dá espaço para a criatividade realmente importar. Uma operação previsível não significa que nada muda. Significa que a organização entende como o trabalho acontece, onde as decisões são tomadas, em quais dados se pode confiar e como as exceções são tratadas. Isso dá à IA uma base estável para aprender, agir e melhorar. Sem essa base, a IA se torna apenas mais uma camada de complexidade sobre um negócio que já é complexo.

Meu conselho aos executivos é simples: parem de perguntar apenas “quão rápido podemos implementar IA?”. Comecem a perguntar: “Nosso negócio é previsível o suficiente para que a IA faça diferença?”

Essa pergunta é menos glamourosa. Também é muito mais útil. Porque as empresas que vencerão com IA não serão simplesmente aquelas com mais pilotos, maiores orçamentos ou comunicados de imprensa mais ousados. Serão as empresas que tornarem suas operações compreensíveis, repetíveis, mensuráveis e confiáveis o suficiente para que a inteligência possa escalar.

Antes que a IA possa gerar resultados, suas operações precisam ser previsíveis.

Primeiro, coloque a operação sob controle. Depois, seja criativo. 

Referências

  • Cisco. (2025). Cisco AI Readiness Index 2025: Realizing the value of AI. Cisco. https://www.cisco.com/c/m/en_us/solutions/ai/readiness-index/realizing-the-value-of-ai.html

  • IoT Analytics. (2025, September 9). Industrial AI market: 10 insights on how AI is transforming manufacturing. https://iot-analytics.com/industrial-ai-market-insights-how-ai-is-transforming-manufacturing/

 

*O artigo, traduzido com a autorização do autor, foi publicado originalmente por Jeff Winter em 08 de maio de 2026 como AI Will Not Save Broken Operations

 

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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