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Canal Indústria 4.0

Transformação digital vira prioridade para 90% dos fabricantes de Ciências da Vida

Pesquisa da Rockwell Automation mostra avanço da manufatura inteligente, expansão do uso de IA e aumento da preocupação com dados e cibersegurança no setor

Por: Redação Grupo CIMM       

A transformação digital deixou de ser uma iniciativa de modernização para se tornar uma questão estratégica para a indústria de Ciências da Vida. Segundo novo relatório da Rockwell Automation, 90% dos fabricantes do segmento consideram a transformação digital necessária para os negócios. Além disso, 58% já implementaram tecnologias de manufatura inteligente em escala ou em partes de suas operações.

O levantamento aponta que empresas do setor estão ampliando investimentos em inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina, automação, dados conectados e cibersegurança. A transformação tecnológica é impulsionada principalmente pela busca por maior qualidade, digitalização das operações e redução de riscos.

O estudo, intitulado O Novo Modelo Operacional para a Indústria de Ciências da Vida: Mudando da Conformidade para a Prontidão Contínua, reúne respostas de 104 gestores e executivos de fabricantes, empresas de equipamentos originais (OEMs), integradores de sistemas e companhias de engenharia, aquisição e construção (EPCs) em 16 países.

Tecnologia passa a ser vinculada a resultados de negócio

A pesquisa indica uma mudança na forma como os investimentos tecnológicos são avaliados. Em vez de serem considerados apenas ferramentas para ampliar a capacidade produtiva, os recursos digitais passam a ser associados diretamente a resultados operacionais e estratégicos.

Entre as tecnologias apontadas pelos entrevistados como capazes de gerar os maiores resultados para os negócios estão IA e aprendizado de máquina, citados por 46%, automação de processos, por 44%, e cibersegurança, por 39%.

Os principais objetivos dos investimentos são melhorar a qualidade, apontada por 43% dos participantes; digitalizar operações, por 36%; e reduzir riscos, por 35%.


A conexão entre dados, sistemas e processos aparece, nesse contexto, como uma das bases para ampliar a eficiência e permitir que diferentes áreas da indústria trabalhem a partir de informações integradas.

IA avança, mas dados ainda são um desafio

A inteligência artificial está entre as tecnologias que mais avançam no setor de Ciências da Vida. Entre as empresas que já utilizam IA, 64% pretendem ampliar seu uso nos próximos 12 meses, enquanto 49% esperam aumentar os investimentos na tecnologia nos próximos cinco anos.

O levantamento, porém, revela uma lacuna entre a adoção de IA e a capacidade das empresas de transformar dados em informação útil. Apenas 32% dos entrevistados afirmam utilizar de maneira eficaz mais da metade dos dados que coletam.

O cenário reforça a importância da infraestrutura de dados para a transformação digital. Sistemas conectados, qualidade das informações, integração entre tecnologias e governança passam a ser condições necessárias para que aplicações de IA possam ser utilizadas de forma consistente na indústria.

Nos próximos 12 meses, os fabricantes pretendem utilizar IA principalmente para controle de qualidade (50%), cibersegurança (45%) e otimização de processos (44%).

Cibersegurança entra no ciclo de vida da fábrica

A expansão da conectividade também aumenta a exposição das operações industriais a riscos digitais. De acordo com a pesquisa, 54% das organizações de Ciências da Vida sofreram pelo menos um ataque cibernético no último ano.

Os principais pontos de exposição identificados foram sistemas de tecnologia da informação (TI) e redes corporativas, mencionados por 41% dos participantes. Em seguida aparecem acesso remoto e equipamentos conectados, com 33%, e pontos de integração entre TI e tecnologia operacional (TO), com 29%.

O resultado evidencia uma característica da transformação digital na indústria: à medida que máquinas, sistemas de produção e redes corporativas passam a estar mais conectados, a segurança digital deixa de ser uma questão restrita ao departamento de tecnologia da informação e passa a integrar a própria gestão das operações industriais.

Da conformidade à prontidão contínua

O relatório propõe uma mudança de abordagem para as empresas de Ciências da Vida. Em vez de tratar a preparação para exigências regulatórias como projetos pontuais, o setor deve incorporar mecanismos de monitoramento, controle e validação à rotina das operações.

A chamada prontidão contínua envolve manter visibilidade operacional em tempo real, integridade dos dados e controle validado dos sistemas conectados. A proposta é criar uma estrutura tecnológica capaz de acompanhar mudanças regulatórias e, simultaneamente, sustentar a expansão da transformação digital.

Entre as medidas apresentadas pela Rockwell Automation estão o gerenciamento de evidências, o fortalecimento da resiliência cibernética, a estruturação das operações de dados industriais, a definição de casos de uso para IA e a criação de mecanismos de governança da inteligência artificial.

Transformação digital exige integração

Os resultados apontam para um movimento que vai além da simples adoção de novas tecnologias. Para capturar valor da digitalização, os fabricantes precisam integrar dados, sistemas e fluxos de trabalho entre áreas como produção, qualidade, engenharia e gestão.

Essa integração permite ampliar a visibilidade das operações, acelerar a tomada de decisões e criar uma infraestrutura para aplicações mais avançadas, como análise preditiva, inteligência artificial e programas de melhoria contínua.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

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