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Canal Indústria 4.0

Feimec 2026 e o novo momento da manufatura aditiva no Brasil

Agora começa a próxima etapa: transformar conhecimento em aplicação industrial real

Por: Luan Saldanha Oliveira     

Participar da Feimec este ano teve um significado muito especial para mim. Lembro da primeira vez que fui à feira, ainda como estudante de Engenharia Mecânica, saindo de Salvador para São Paulo com muita curiosidade e aquela sensação de estar entrando em um universo que parecia distante da minha realidade.

Na época, caminhar pelos corredores da Feimec era quase como visitar o “futuro da indústria”. Máquinas gigantes, tecnologias que eu só via em artigos ou vídeos, equipamentos que dificilmente teria acesso dentro da universidade. Era impossível não sair impactado.

Alguns anos depois, retorno ao mesmo evento não apenas como visitante, mas palestrando sobre um tema que vem fazendo parte da minha vida nos últimos dez anos: manufatura aditiva.

Antes de tudo, deixo aqui meu agradecimento ao Michael Fine pelo convite e pela oportunidade de compartilhar um pouco do conteúdo que venho produzindo para fortalecer e apoiar o ecossistema de manufatura aditiva no Brasil.

Palestras no Palco Feimec e nos estandes da feira

Apresentei dois temas no Palco Feimec que considero extremamente importantes para o momento atual do mercado:

  • “Manufatura Aditiva Metálica na Indústria”
  • “Manufatura Aditiva: do discurso à aplicação industrial”

Para quem tiver interesse, deixei os materiais disponíveis neste link.

Além das palestras, também tive o prazer de conversar com a Camila Sarantopoulos no estande da TECC sobre minha visão do mercado brasileiro de manufatura aditiva. Também foi muito bom conhecer pessoalmente o Daniel Huamani e realizar uma apresentação no estande da 3D Criar.


Além da experiência pessoal, a Feimec 2026 deixou algo muito claro para mim: A manufatura aditiva no Brasil está entrando em uma nova fase.

O debate mudou

Talvez esse tenha sido o principal sinal que percebi ao longo da feira. Há alguns anos, a maior parte das conversas sobre impressão 3D ainda girava em torno da descoberta da tecnologia: “o que é”, “como funciona”, “quais máquinas existem” ou “se isso realmente teria futuro”.

Na Feimec 2026, senti um cenário diferente. A conversa começa a migrar para perguntas mais estratégicas:

  • Onde a tecnologia realmente gera valor?
  • Como industrializar aplicações?
  • Como reduzir risco?
  • Como integrar manufatura aditiva ao fluxo industrial?
  • Quais aplicações realmente fazem sentido economicamente?

Isso, para mim, é um dos maiores sinais de amadurecimento do mercado. A primeira grande barreira já foi vencida: a indústria brasileira e profissionais sabem que a manufatura aditiva existe. Agora começa a próxima etapa: transformar conhecimento em aplicação industrial real.

Esse movimento ficou muito evidente nas conversas com parceiros, fornecedores, representantes e usuários da tecnologia ao longo da feira. A percepção geral era semelhante: o mercado parece mais maduro, mais técnico e mais consciente das possibilidades e limitações da tecnologia. E isso é extremamente positivo.

Mais qualidade, menos “efeito novidade”

Outro ponto que me chamou atenção foi a presença crescente de empresas de manufatura aditiva na feira. Ainda não estamos falando de uma Feimec dominada por impressão 3D (longe disso!). Mas percebi um crescimento qualitativo muito importante.

Havia novos fornecedores, novos estandes e soluções mais maduras sendo apresentadas ao mercado. E o mais interessante: as empresas começam a expandir o discurso além dos polímeros.

Nos estandes, vi uma presença maior de soluções envolvendo metais, novos materiais, scanners, softwares industriais e aplicações voltadas para problemas concretos da indústria. Isso mostra uma evolução natural do ecossistema.

Quando a conversa evolui de “máquina” para “solução industrial”, o mercado começa a ganhar profundidade. E isso é fundamental para consolidar a manufatura aditiva como ferramenta estratégica dentro das empresas.

Formação profissional: um sinal extremamente positivo

Outro momento que me deixou particularmente feliz foi encontrar alunos do meu curso “Manufatura Aditiva na Indústria” presentes na feira (se quiser saber mais sobre o curso, aqui você encontra mais informações). Além disso, muitos estudantes participaram das palestras no Palco Feimec demonstrando interesse genuíno pelo tema. Isso é extremamente importante.

A formação e capacitação continuam sendo um dos maiores desafios do ecossistema brasileiro de manufatura aditiva, algo que já discuti em outros artigos sobre o avanço da tecnologia no país. Não existe crescimento sustentável sem formação de profissionais. E ver estudantes buscando conhecimento, participando das discussões e se aproximando da indústria mostra que estamos construindo uma base importante para os próximos anos.

Muito além da feira

Mais do que exposição de máquinas, a Feimec acabou funcionando como um grande ponto de encontro do ecossistema. Foi um momento para rever parceiros, atualizar conversas, discutir projetos, entender movimentos do mercado e perceber como a manufatura aditiva vem se posicionando dentro da indústria brasileira.

Esse tipo de interação é algo que considero extremamente valioso. Porque o crescimento do ecossistema não acontece apenas pela chegada de novas máquinas. Ele acontece principalmente pela construção de conexões, confiança e colaboração entre empresas, universidades, fornecedores, usuários e profissionais da área. E foi exatamente isso que senti ao longo da Feimec 2026.

Até a próxima Feimec

Saio da Feimec 2026 extremamente otimista com o que vem pela frente. Não apenas pelo crescimento da tecnologia em si, mas principalmente pela evolução da mentalidade do mercado. Talvez esse seja o verdadeiro indicador de maturidade.

A manufatura aditiva não precisa mais provar que existe. Agora ela precisa provar, cada vez mais, onde gera resultado. E acredito que estamos começando a entrar exatamente nessa fase.

A próxima parada será o III Workshop da Petrobras de Manufatura Aditiva e, junto com ele, o lançamento da 5ª edição do Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil: um projeto que tem me permitido acompanhar de perto a evolução desse ecossistema nacional.

Mas isso fica para o próximo artigo!

*O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

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Luan Saldanha Oliveira

Luan Saldanha Oliveira

Manufatura Aditiva

Engenheiro Mecânico pela Universidade Federal da Bahia, com graduação sanduíche no Instituto Superior Técnico (Portugal), e mestre em Engenharia de Sistemas e Produtos pelo Instituto Federal da Bahia. Possui formação complementar em Transformação Digital e MBA em Gestão e Inovação pela Fundação Getulio Vargas.

Atua no desenvolvimento, difusão e articulação de competências em Manufatura Aditiva aplicada à indústria, sendo criador do Mapa da Manufatura Aditiva no Brasil e fundador da Aditiva Brasil, iniciativa voltada à conexão entre indústria, tecnologia e inovação.

Acompanhe a coluna de Luan Saldanha Oliveira e confira outros artigos sobre Manufatura Aditiva e Indústria 4.0.

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