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Mais investimento em transformação digital é parte dos planos da indústria na retomada pós-pandemia

29/05/2020

Vem se falando cada vez mais em transformação digital, mas as ações e investimentos ainda estão longe do ideal na indústria de manufatura no Brasil - há níveis de amadurecimento diferentes, especialmente quando se compara as grandes com médias empresas. A pergunta que fica neste momento é se o Covid-19 de alguma forma provocou (ou provocará) uma aceleração na transformação digital também no chão de fábrica?

Para entender um pouco melhor este cenário conversamos com o Jair Raupp, que é executivo na CT Consultores e atua em consultoria industrial, e com o Cédric Craze, que é diretor de tecnologia da Pollux. Você também verá pontuações de Angela Maria Gheller Telles, diretora de Produto e Ofertas no Segmento de Manufatura, Logística e Agroindústria na TOTVS. Ela participou de uma live no dia 6 de maio sobre o cenário da indústria brasileira na crise. As três empresas (CT Consultores, Pollux e TOTVS) integram a Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII).

Em um ponto os três especialistas concordam: passada a pandemia é fundamental que a indústria de manufatura mantenha e amplie os investimentos na transformação digital do negócio, fazendo uso no chão de fábrica das ferramentas habilitadoras da Indústria 4.0. Deve fazer parte do plano de retomada de qualquer empresa!

Movimento vai chegar na fábrica

"Com a pandemia viu-se que é possível trabalhar e atingir objetivos não tendo todos os funcionários atuando fisicamente na empresa e que pode se ter ganhos com isso", ressalta o consultor Jair Raupp, que também integra o Conselho Fiscal da ABII. Segundo ele, este valor foi percebido pelos gestores das áreas que estão atuando em home office neste momento.


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"Será que é preciso que uma empresa tenha todos os aparatos e tecnologias instalados num mesmo espaço? No caso de uma indústria em que eu presto consultoria, foi possível rapidamente disponibilizar a tecnologia para que o trabalho remoto fosse possível em várias áreas e as pessoas pudessem de fato ficar em casa, mas tendo as conversas necessárias e o acesso as métricas de vendas, por exemplo, entre outros dados. Não se cogitava ter este tipo de processo antes do Covid, mas ele está funcionando para algumas áreas com um investimento menor do que se imaginava", relata.

No caso do processo de fabricação, conforme o consultor, é um pouco mais complexo. "Acredito que teremos reflexos no chão de fábrica em pouco tempo. Pois se funcionou para outros setores, podemos aproveitar este movimento de alguma forma na produção. Os donos dos negócios estão sensibilizados sobre a necessidade de evoluir na transformação digital, mas será preciso que a indústria média tenha acesso a fundos e financiamentos para levar isso com mais força até as fábricas. É um grande desafio que tem custo alto. Mas os benefícios, que já estavam sendo analisados, agora estão bem assimilados pelos donos dos negócios", pontua.

Jair acredita que juntamente com o investimento em tecnologias, as empresas precisam continuar e ampliar a capacitação das pessoas. Ele cita como exemplo um treinamento de job rotation na fábrica em que atua neste momento. O treinamento já estava sendo realizado antes do Covid e foi acelerado com a pandemia. "Capacitar as pessoas da produção a atuarem em qualquer equipamento vai reduzir o impacto quando alguns funcionários, eventualmente, estarão afastados do seu posto de trabalho. Esta flexibilidade é necessária no chão de fábrica e vai contribuir para expansões futuras ligadas a tecnologia".

Tem que automatizar e rápido

Já o diretor de tecnologia da Pollux, Cédric Craze, acredita que claramente o Covid obrigou todo mundo a se adaptar e usar ferramentas digitais. "Se antes se levava 10, 15, às vezes 20 minutos para começar uma reunião por videoconferência até que todo mundo se arrumasse, agora todos entram na hora sem problemas. Antes ninguém parecia muito disposto a aprender sobre as ferramentas porque tinha o pessoal de TI que resolvia o problema. Agora, tudo mudou", exemplifica.

"Com a obrigação do home office, inclusive em muitas fábricas, surgiu um problema para quem não tem processo automatizado de produção e aí a produção foi a zero rapidamente. Se para algumas empresas não é um problema ficar dois, três meses sem faturar, para outras, que dependem do faturamento mensal para pagar contas e salários, o problema ficou imenso, porque de repente havia uma fábrica equipada, organizada com material no estoque, mas sem gente na linha, proibidos de entrar. No mínimo, estas empresas tiveram que parar e refletir sobre o que fazer, se não agora, mas num futuro breve, em termos de investimentos."

Segundo ele, algumas empresas já estavam num ciclo de automatização das fábricas, mas a passos lentos, e agora veio uma determinação que tem de automatizar e rápido ou então ficará para trás. O impacto do Covid é inegável, acredita Cédric. 

"Em alguns negócios, como a indústria alimentícia, que teve um crescimento neste período, foi necessário aumentar a produção. As linhas não pararam um minuto. Para as linhas que já estão gerando dados, foi possível analisar, flexibilizar e garantir processos melhores de produção e até assimilar este aumento de demanda sem tanto problema - embora sejam necessárias novas soluções também. Quem não investiu na transformação digital e viu tudo isso acontecendo vai acelerar fortemente a transformação no chão de fábrica. E claro, teve setores que pararam totalmente e vão precisar postergar investimentos até dos projetos que já estavam em andamento", analisa Cédric.

Foco será manufatura a 4.0

"No chão de fábrica há muita oportunidade de digitalização. Basta observar a quantidade de papel nos processos de fabricação. É gigante", alertou a diretora de Produto e Ofertas no Segmento de Manufatura, Logística e Agroindústria na TOTVS, Angela Maria Gheller Telles, durante uma live no dia 6 de maio, que discutia exatamente o cenário da indústria na crise.

Ela também lembrou que se muitas empresas conseguiram em uma ou duas semanas organizar a atuação remota de seus funcionários - algo que levaria um, dois anos, em "tempos normais" - é possível se fazer muito mais do que as próprias empresas imaginavam, também nas fábricas. 

O processo de digitalização pode ser ainda mais rápido. "Faz cinco anos que falamos de manufatura 4.0, mas fica muito no discurso. Muitas vezes a fábrica não se conecta com sensores porque o parque fabril esta sucateado. Outras vezes a cultura impacta: a fábrica até teria tecnologia para ter alguns processos digitalizados rodando no chão de fábrica, mas continua se fazendo tudo do mesmo jeito. O fato é que agora o foco será a indústria 4.0. Não tem saída: a retomada será digital", disse a diretora.

Produzido por:

Associação Brasileira de Internet Industrial

A Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), fundada em agosto de 2016, atua com o objetivo de promover o crescimento acelerado e o fortalecimento da internet industrial no Brasil. Fomenta o debate entre setores privado, público e acadêmico, a colaboração e o intercâmbio tecnológico e de negócios com associações, empresas e instituições internacionais, além da realização de estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias e inovação. A ABII é signatária do Acordo de Cooperação com o Industrial Internet Consortium (IIC), consórcio criado em 2014, nos EUA, com o mesmo objetivo. Buscando inserir o Brasil nesta revolução, a ABII já conta com mais de 50 empresas e instituições associadas, de startups a empresas globais.



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