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A Era da Internet Industrial

24/02/2019

O fogo. A roda. A máquina a vapor. A eletricidade. O petróleo. O robô. E agora, os algoritmos inteligentes. A humanidade testemunhou várias revoluções, descobertas e invenções. Até que chegou o momento de sermos cúmplices na construção de uma nova era industrial: a da internet.

Com todos os aplicativos e ferramentas em rede, o chão de fábrica será coberto por uma nuvem digital que promete tornar as operações mais eficientes e rápidas. Isso porque as máquinas estão se tornando inteligentes e capazes de se comunicarem entre si. E a cada dia aprendem mais sobre tomar decisões com base no seu próprio histórico de operações.

Já imaginou poder contar com linhas de produção autogerenciáveis que dependem da intervenção humana apenas para resolução de desafios estratégicos? Pois é, chegamos à indústria 4.0.

 

O que testemunhamos até agora?

A Revolução Industrial transformou a vida das pessoas, com acesso a grande variedade de produtos, novas formas de geração e distribuição de energia, meios de transporte mais eficientes e migração massiva para as cidades. Por isso é fácil reconhecer o papel que a indústria 1.0 teve nesse caminho. Ela desencadeou o momento que vivemos hoje.


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A partir de 1995 a internet começou a aproximar lugares distantes, a revolucionar o acesso à informação e reinventar a forma como as pessoas se relacionam. Somos protagonistas de uma revolução tecnológica que promete transformar novamente o mundo ao gerar crescimento econômico, empregos mais qualificados e elevação dos padrões de vida.

Os benefícios da internet industrial (IIoT) já podem ser percebidos. A utilização de máquinas inteligentes e da análise computacional avançada, além do trabalho colaborativo entre pessoas conectadas, são capazes de gerar profundas mudanças e trazer eficiência operacional. Algumas áreas impactadas são as de Manufatura, Transporte, Energia e Saúde, entre muitas outras.

E você deve imaginar que dispositivos conectados entre si, que geram inteligência de mercado e ficam constantemente ligados à rede podem ser alvos de ataque. Saiba, então, que gigantes globais como Google, Microsoft e Intel, universidades e institutos de pesquisa trabalham para vencer estes desafios técnicos.

Para acelerar esse processo e fomentar colaboração entre os participantes dessa revolução foi criado em 2014 o Consórcio de Internet Industrial (IIC). No entendimento das empresas participantes, já dispomos da tecnologia para criar soluções inovadoras. Boa parte do esforço do consórcio está em elaborar projetos pilotos (testbeds) que coloquem em prática as novas ideias.

 

De onde vem o termo Indústria 4.0?

Foi na edição de 2011 da Feira de Hannover que o conceito começou a ser revelado ao público em geral. A Indústria 4.0, fortemente patrocinada e incentivada pelo governo alemão, em associação com diversos outros órgãos, propõe uma importante mudança de paradigma em relação à maneira como as fábricas operam nos dias de hoje.

Nessa visão de futuro o controle dos processos produtivos é descentralizado pela proliferação de dispositivos inteligentes interconectados ao longo de toda a cadeia de produção e logística. O impacto esperado na produtividade da indústria é comparável ao que foi proporcionado pela internet em diversos outros campos, tais como no comércio eletrônico, nas comunicações pessoais e nas transações bancárias.

Mas o que é preciso para concretizar essa revolução na indústria?

Tornar a Indústria 4.0 uma realidade implicará na adoção gradual de um conjunto de tecnologias emergentes de TI (Tecnologia da Informação) e de automação industrial. A busca é por formar um sistema de produção físico-cibernético, com intensa digitalização de informações e comunicação direta entre sistemas, máquinas, produtos e pessoas.

Esse processo promete gerar ambientes de manufatura altamente flexíveis e autoajustáveis à demanda crescente por produtos cada vez mais customizados. Para o sucesso do projeto, a consolidação de um único conjunto de padrões técnicos de comunicação e segurança será um elemento-chave.

Ajustes e fortalecimentos nas conexões ajudam a assegurar a troca de informações entre os diferentes tipos de sistemas e dispositivos. O que elimina restrições relacionadas aos padrões proprietários vigentes.

Quer alguns exemplos?

Veja os materiais disponibilizados no site da Academia Nacional de Ciência e Engenharia da Alemanha. A partir deles, destacamos que boa parte dessas novas tecnologias já está disponível, mas a transição para a Indústria 4.0 não ocorrerá de forma repentina. A transformação será gradual e a velocidade de implantação dependerá de fatores econômicos e estratégicos, além da capacitação tecnológica da indústria de cada país.

 

Enquanto isso, no Brasil, estamos preparados para esta revolução?

O consenso entre os especialistas é de que a indústria nacional ainda se encontra em grande parte na transição do que seria a Indústria 2.0 (caracterizada pela utilização de linhas de montagem e energia elétrica) para a Indústria 3.0 (que aplica automação por meio da eletrônica, robótica e programação).

Perceba como é contundente é nossa defasagem:

Precisaríamos instalar cerca de 165 mil robôs industriais para nos aproximarmos da densidade robótica atual da Alemanha. No ritmo atual, com cerca de 1,5 mil robôs instalados por ano no País, levaremos mais de 100 anos para chegar lá.

A boa notícia é que não precisaremos passar por todo o processo de modernização fabril ocorrido nos países desenvolvidos nas últimas décadas para só, então, poder abraçar as tecnologias da Internet Industrial e da Indústria 4.0. Podemos e devemos queimar etapas.

O que não é possível é ignorar essa revolução se quisermos preservar a indústria presente no Brasil e prepará-la para esse novo panorama competitivo. Um cenário no qual as tecnologias de informação e de automação — e não a mão de obra de baixo custo — serão capazes de gerar vantagens competitivas para as nações com setor de manufatura relevante.

A conjuntura brasileira atual, marcada por uma severa crise econômica e política, torna esse desafio ainda mais difícil para o País. Devemos, mais do que nunca, contar com lideranças fortes e articuladores na indústria, governo e nas instituições acadêmicas e de pesquisa. Necessitamos de níveis de investimento relevantes e da capacitação intensiva de gestores, engenheiros, analistas de sistemas e técnicos nessas novas tecnologias. Isso sem dizer de parcerias e alianças estratégicas com entidades de outros países.

Cada um precisará fazer a sua parte:

  1. O governo com políticas estratégicas inteligentes, incentivos e fomento;
  2. Os empreendedores e gestores da indústria com visão, arrojo e postura proativa;
  3. As instituições acadêmicas e de pesquisa com a formação de profissionais e desenvolvimento tecnológico, preferencialmente em grande proximidade com a indústria.

 

E as oportunidade para os empreendedores?

A Internet Industrial e a Indústria 4.0 criam também enormes oportunidades para empreendedores que atuem na área de tecnologia. Talvez como nunca antes na história da humanidade. Muito do que será necessário para converter a manufatura, os meios de transportes, o agronegócio e outros setores industriais ainda precisam ser desenvolvidos.

Boa parte das tecnologias disruptivas ainda requer aperfeiçoamento, customização e a criação de soluções abrangentes que funcionem e gerem os benefícios esperados. Para mencionar apenas algumas das novas ferramentas, precisaremos de:

  • Empresas e startups focadas em Big Data, Analytics, nuvem e cibersegurança;

  • Automação de conhecimento na área de software, robótica avançada e manufatura aditiva;

  • Novos materiais e insumos;

  • Energias sustentáveis;

  • Simulações no campo da engenharia.

Para empreendedores que já atuam em um dos segmentos diretamente impactados por essa revolução vale investir tempo na formulação de um plano consistente para avaliar e aplicar as novas tecnologias em suas operações. O ideal é reunir sua equipe interna com especialistas do mercado para analisar a viabilidade e o impacto de cada uma das novas tecnologias.

 

Duas dicas valiosas na transição para a indústria 4.0

  1. Pensar grande e começar pequeno. Ou seja, pilotar cada ideia, medir os resultados e expandir para toda a operação.

  2. Não esperar por um momento futuro. A hora é agora, antes que seus competidores o tirem do mercado.

 

            

A Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII)

Inspirados no modelo do IIC e buscando inserir o país nesta revolução, a Pollux, a FIESC/CIESC e a Embraco fundaram em agosto de 2016 a Associação Brasileira de Internet Industrial (abii.com.br). A ABII visa divulgar e fortalecer a Internet Industrial no Brasil, criar um fórum permanente de discussões sobre o tema, intercâmbio tecnológico e de negócios com parceiros     internacionais, promoção do desenvolvimento econômico e geração de empregos.

Produzido por:

José Rizzo Hahn Filho

CEO - Pollux Automation

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