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Técnicas preditivas: como a análise de óleo e de vibração se complementam

Diferentes técnicas preditivas usadas em paralelo, permitem entendimento mais amplo de pontos críticos; da vibração à lubrificação do maquinário
16/09/2018

A análise de óleo, bem como a análise de vibração, são duas técnicas preditivas amplamente usadas na manutenção de máquinas e equipamentos industriais.

Enquanto a análise de óleo é usada para detectar desgastes em peças móveis e a presença de substâncias contaminantes, a análise de vibração permite a detecção de falhas potenciais como desbalanceamento, desalinhamento, desgaste em engrenagens e mancais, entre outras.

O monitoramento contínuo e a análise de vibrações tem sido tema recorrente nos textos publicados neste blog, por isso neste é dado maior foco nos aspectos da lubrificação.

 

Problemas decorrentes de vazamentos de óleo ou falta de lubrificação

O vazamento de óleo ou a falta de lubrificação podem causar diversos prejuízos, dentre eles:

Custo do próprio óleo desperdiçado: Esse é o custo direto e mais óbvio em caso de vazamento de óleo. Algumas máquinas podem requerer lubrificantes específicos e de preço mais elevado, portanto o impacto desse desperdício não deve ser menosprezado.


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Redução da vida útil de componentes: Os lubrificantes reduzem o atrito entre peças sólidas, ou seja, constituem uma camada fluida que evita o contato direto entre os componentes.

Em geral, os componentes industriais possuem um processo natural de desgaste à medida que vão sendo operados. Porém, um desgaste anormal pode estar diretamente relacionado à quantidade insuficiente de óleo na lubrificação. É o caso da figura (3) do exemplo a seguir:

A figura mostra a ação da camada fluida, chamada de filme lubrificante. No último caso, quando não há lubrificação ou quando ela já está seca, ocorre um desgaste acentuado, podendo, inclusive, resultar em pontos de solda, devido ao aquecimento demasiado das superfícies, que se grudam e se soldam.

Maior insalubridade no chão de fábrica: Em caso de vazamentos, os lubrificantes podem atingir pontos de passagem de pessoas, como corredores ou mesmo áreas percorridas pelos manutentores, tornando o piso escorregadio e propício a acidentes.

Além disso, dependendo da temperatura e composição dos lubrificantes, ao entrar em contato com a pele humana, podem ocorrer queimaduras, alergias e outras lesões.

Contaminação do solo: Em casos extremos de vazamentos, podem ocorrer infiltrações que contaminam o solo circundante. Isso, além do impacto ambiental, pode resultar em multas e sanções penais.

 

Boas práticas na lubrificação

Levando em consideração os problemas decorrentes da falta de lubrificação, é importante atentar-se às melhores práticas para que a lubrificação seja feita de maneira adequada.

Escolher o lubrificante correto: Essa tarefa pode parecer simples, porém existe uma infinidade de opções disponíveis no mercado e cada uma delas possui diferentes características.

Lubrificantes podem variar de acordo com a viscosidade (resistência ao escoamento), densidade relativa, ponto de combustão, etc. Por sua vez, as máquinas e seus componentes também possuem diferentes necessidades de lubrificação. Variando conforme fatores como velocidade de operação, condições de carga, tipos de atrito e normas industriais. Por isso, escolher o sistema de lubrificação apropriado é crítico para a boa operação do maquinário, reduzindo a possibilidade de ocorrência dos problemas citados anteriormente.

Investigar: No caso de ocorrência de vazamentos ou de máquinas consumindo óleo excessivamente, identificar a fonte e apurar as causas devem ser prioridades, buscando assim evitar problemas de repetibilidade e conhecer melhor o maquinário.  

Limpeza: Quanto mais limpo e organizado for o chão de fábrica, mais fácil será a detecção visual de problemas relacionados à lubrificação. Dessa forma, o próprio operador ou colaboradores na rota da máquina, podem ser capazes de visualmente identificar problemas como vazamentos de óleo ou superaquecimento de componentes, no caso de presença de fumaça, por exemplo.

Históricos de vazamentos ou consumo em excesso: Após a identificação de vazamentos ou consumo excessivo de lubrificantes (falta de lubrificação), é indicado registrar os pontos de ocorrência, bem como detalhes sobre a causa e a resolução. Isso resulta em uma base de rastreamento e acompanhamento do problema, possibilitando uma supervisão mais apurada e eficiente.

 

Lubrificação e vibração: pontos de convergência

Em componentes onde a lubrificação está presente, o monitoramento contínuo da vibração e da temperatura pode ser um importante aliado na detecção e consequente prevenção de falhas.

Conforme apresentado na figura anterior, na falta de lubrificação, os componentes apresentam maior atrito, devido ao contato direto entre sólidos. Isso, por sua vez, gera um maior nível de vibração. Além disso, esse contato direto também pode aquecer os componentes, resultando em um aumento de temperatura do sistema. Quanto mais rápida a velocidade de operação da máquina, mais rápido tende a ser esse aquecimento das partes.

O monitoramento contínuo da vibração e da temperatura permite a identificação dessas alterações e a ação antes que uma falha efetiva ocorra. Geralmente são alterações sutis, mas que podem ser identificadas através de um histórico de dados, analisando a tendência e avaliando alterações no comportamento esperado.

Produzido por:

Clara Rejane Scholles

Diretora Comercial - Dynamox Soluções Criativas

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