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Descomplicando o IoT: Internet das Coisas para a Indústria vale a pena?

Esse artigo é para você que deseja extrair o melhor do seu sistema produtivo.
29/05/2018

Quando começamos a abordar as possibilidades da aplicação da Internet das Coisas  (IoT) na indústria, conectando máquinas, processos e pessoas à nuvem, surge uma insegurança quanto ao resultado efetivo da solução no sistema produtivo. A Internet das Coisas, genericamente, adiciona valor em três propósitos: aumentar a eficiência, melhorar a segurança e criar melhor experiência. 

Já a Internet das Coisas para a Indústria (IIoT) desponta como uma das bases para a indústria 4.0, atraindo a atenção do recente mercado para as novas tecnologias. Mas investir em IIoT realmente vale a pena? Essa questão será respondida a seguir.

Qual a diferença entre IoT e IIoT?

Podemos pensar em IoT como um amplo grupo genérico de equipamentos conectados à internet, os quais são responsáveis por enviar informações para a nuvem de diversas áreas, como de consumo, da agricultura, da indústria produtiva, da saúde, das utilidades para governos e cidades. O IIoT (Industrial IoT) é um subgrupo do IoT e se destaca por focar nos requisitos especiais das aplicações industriais - como na indústria produtiva, de óleo e gás e de utilidades. Sendo assim, o IIoT atinge somente os dois primeiros propósitos: aumento da eficiência e da segurança.


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Um equipamento IoT pode possuir as mesmas funcionalidades de um IIoT e, mesmo assim, não ser considerado um produto industrial. Isso se dá devido à diferenciação das características técnicas entre eles onde podemos listar dez características de equipamentos IIoT: segurança, interoperabilidade, escalabilidade, precisão, programação, baixa latência, confiabilidade, resiliência, automação e facilidade na manutenção. 

Um exemplo para diferenciar um equipamento IoT de um IIoT, é quando comparamos uma furadeira residencial com uma furadeira industrial. A residencial é feita para durar um número menor de horas do que  industrial, que é utilizada nove horas por dia e é peça fundamental no processo produtivo. A falta de manutenção rápida, neste último caso, gera o gasto de um recurso valioso, no caso, o tempo.

Potencial Massivo para IIoT

Hoje, a indústria vivencia o crescente aumento da aplicação de IIoT no sentido de se manter competitiva e ganhar mais mercado. Isso só é possível devido a redução dos custos de implantação, tanto de hardware quanto de software. Nos últimos anos tivemos grandes inovações em hardware, conectividade, big data, inteligência artificial e o Machine Learning. Essas inovações juntas geram oportunidade para a indústria, como é o caso dos sensores, hoje de alta potência e longa durabilidade de bateria e muito mais baratos, bem diferente de dez anos atrás.

Um exemplo do potencial de IIoT é a análise preditiva de falha, ou seja, um sistema que pode prever o defeito do equipamento e alertar a necessidade de manutenção. Afinal, em muitos casos uma máquina parada pode significar milhares de reais perdidos em produtividade. 

Com a IIoT a palavra preditiva entra em contexto. Sabemos que um planejamento de manutenção pode garantir parcialmente o bom funcionamento da máquina. Porém, não consegue prever o inesperado, como por exemplo, um aumento de temperatura e a diminuição da lubrificação, o que pode ocasionar a falha da máquina antes da data da próxima manutenção. 

Com a aplicação de IIoT, é possível reduzir o tempo, o esforço e o custo. Isso porque o monitoramento preditivo de falhas em máquinas requer utilizar mais sensores de coleta de informações para, com apoio de softwares de análise de dados e Machine Learning, identificar quando a máquina precisa de manutenção. O IIoT utilizado para manutenção preditiva é apenas um dos muitos exemplos que já  operam na indústria brasileira.

Uma visão de mercado

Convidei o diretor de desenvolvimento da GRV Software, Valdecir Pereira, com seus 16 anos de experiência nesse ramo para trazer uma visão de mercado sobre a aplicação de IoT na indústria e a sua evolução nos próximos anos. Segue a nossa conversa:

 

1. Na sua visão, como está a aplicação de IoT na indústria?

Valdecir - Hoje somos totalmente adeptos da tecnologia e, conforme essa conexão entre os aparelhos se intensifica, as nossas possibilidades aumentam exponencialmente. Levando ao âmbito industrial, não nos adaptamos na mesma velocidade, porém, nos últimos anos podemos observar a movimentação da indústria brasileira para uma realidade focada em produtividade e tecnologia; pilares fundamentais para ganhar não só espaço no mercado interno, mas também atingir melhores índices de exportação.

Estamos saindo de um período de recessão econômica, sentimos na pele a necessidade de fazer mais com menos. Agora a demanda é por tecnologia, justamente para melhorar a produtividade. A IIoT (Internet das Coisas Industrial) está diretamente ligada à indústria 4.0, sendo responsável pela interconexão de dispositivos e sistemas, gerando o compartilhamento inteligente de dados da fábrica de forma digital e online. 

O Brasil está longe de alcançar os níveis de desenvolvimento tecnológico, baseados na indústria 4.0 dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e China.  A recessão dos últimos anos impactou diretamente na capacidade de investimento do mercado interno, deixando-nos alguns passos atrás, avançando devagar na utilização da inovação responsável por potencializar o desenvolvimento do setor. Porém, os empresários entendem a necessidade de investir em IIoT como diferencial competitivo, garantindo vantagem perante os concorrentes.

Atualmente, o investimento em tecnologia e capacitação voltados a IIoT se mostra decisivo para as indústrias que buscam ser mais competitivas. Porque os processos se tornam eficientes, customizáveis e com menos chances erros. Prova deste cenário é o investimento significativo nessa tecnologia, que segundo pesquisa realizada pela Bsquare, 86% das organizações industriais estão atualmente adotando soluções de IoT e 84% acreditam que essas soluções são muito ou extremamente eficazes.

A evolução caminha tão rapidamente que o BNDES e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) lançaram o Plano Nacional de IoT, em prol do desenvolvimento da tecnologia no Brasil. Para 2019, a promessa é a chegada do 5G, que tem o objetivo de melhorar a conexão entre máquinas.

O que posso afirmar, resumidamente, é que apesar de um cenário político e econômico ainda desafiador no Brasil, as indústrias buscam a tecnologia, em especial a IIoT, para se manterem competitivas e produtivas. Hoje temos tecnologias bastante acessíveis, dando oportunidade às pequenas e médias empresas de se modernizarem para acompanhar o mercado. Na primeira  Revolução Industrial o grande investimento era em maquinário, hoje, é em tecnologia, que cada vez se torna mais essencial.

 

2. Qual as necessidades dos empresários da indústria em ter dados sobre o processo?

Valdecir - "De uma forma geral, os empresários buscam informações detalhadas do processo de fabricação, podendo dividir as necessidades em estágios diferentes de maturidade:

  • Quanto e o que está sendo produzido? Neste estágio de maturidade o objetivo é obter dados do uso das máquinas e do processo de fabricação para avaliar a produtividade, bem como identificar a capacidade utilizada e quais problemas interferem no máximo aproveitamento.
  • Como produzir mais, melhor e no mesmo tempo? Por meio de dados detalhados do processo de fabricação e com uma visão mais analítica, o objetivo é identificar melhorias no processo produtivo para incrementar a produtividade.
  • Tomada de ações baseada em inteligência artificial. Neste estágio de maturidade, o objetivo é reduzir ao máximo o tempo de máquina parada. Porém, o conjunto de variáveis cresce exponencialmente, trazendo a necessidade de dados tidos como críticos para a máquina, os quais são analisados por meio de sistemas de rede neural artificial (Machine Learning).

 

3. O que mais a indústria busca hoje em termos de software?

Valdecir - A primeira necessidade é por recursos baseados em gestão à vista para se ter visibilidade do processo de fabricação. A segunda necessidade, e não menos importante, é de digitalizar os processos ainda realizados em papel. A busca é por:

  • Redução de custos;
  • Visibilidade do processo de fabricação como um todo;
  • Transparência, agilidade e detalhamento das informações;
  • Informações sempre atualizadas;
  • Redução de erros de fabricação com informações mais precisas e completas;
  • Sustentabilidade: Eliminação do papel.

O objetivo é a melhora da produtividade e o software é um grande decisor, pois garante agilidade, integração e transparência a todo o processo de fabricação. Isso fornece informações em tempo real no computador, no celular ou até na TV para melhorar a produtividade de toda a equipe (Gestão à vista). Em suma, o software é um meio para ganhar agilidade no processo e melhorar a produtividade da fábrica.

 

4. Como estarão as necessidades dos clientes daqui a 5 anos?

Valdecir - Se hoje estamos correndo para acompanhar a tecnologia, acredito que em cinco anos estaremos ainda mais imersos na indústria 4.0. A necessidade de modernização da planta fabril se tornará decisiva. As empresas que não acompanharem a evolução terão custos cada vez mais inflados, contrapondo um mercado que busca processos enxutos e inteligentes.

 

Algumas premissas:

  • Análises avançadas sobre dados coletados diretamente da fábrica;
  • Automatização e aplicação de insights baseados de análises;
  • Sistemas de autogerenciamento;
  • Maior capacidade de produtos customizados;
  • Sensores, software e outras tecnologias interligadas fornecendo informações online;
  • Sistemas Ciber-fisicos fornecendo uma visão mais clara do processo e permitindo intervenção sobre eles.

 

5. O custo de implantação do sistema é elevado? Quanto para iniciar a operação?

Valdecir - A aquisição é de baixo custo, e ainda há uma tendência, onde a maioria das soluções podem ser implantadas no modelo SaaS (Software como Serviço). Nesta modalidade, não há necessidade de alto investimento inicial. Tanto software quanto equipamentos também podem ser fornecidos neste modelo. Especialmente quando levamos algumas questões em consideração, como:

- Qual é o custo da baixa produtividade?

- Como competir com indústrias com processos enxutos, eficiente e com baixo custo?

A tecnologia é uma aliada para a eficiência operacional e maximização dos lucros. Muitas empresas já se beneficiam da redução de custos devido ao aumento da produtividade, baseado em indicadores como o OEE (Overall Equipment Effectiveness).

Ainda há um equívoco ao pensar que a indústria 4.0 no Brasil se aplica somente à grande empresas. Hoje temos diversas tecnologias acessíveis à disposição, dando oportunidade para que as pequenas e médias empresas possam se modernizar.

 

IIoT vale a pena?

A resposta para essa pergunta é sim, desde que tenha os parceiros certos para essa migração, por isso, busque referências no mercado, pergunte a pessoas de outras indústrias para criar um ambiente de cooperação em busca de inovação. Uma certeza que podemos ter é que quanto mais difundida for à tecnologia, mais barata será.

 

E a sua empresa opera com algum modelo IIoT? Deixe um comentário contando mais.

Produzido por:

Jian Melo
      

O autor possui: FORMAÇÃO EM ENGENHARIA, especializado em Projetos Mecânicos, Mecatrônica Industrial e Engenharia de Produção. Com Background que reforça a rápida tomada de decisão, entendimento sobre os custos de produção e gerenciamento de projetos. DESIGN DE ESTRATÉGIA DE MARKETING, criando inteiramente a estratégia de marketing para todo o mercado Brasileiro, incluindo análise de mercado, comportamento do consumidor, competidores, agências de publicidade, parceria com bloggers e instagramers. INTERNATIONAL BUSINESS DEVELOPMENT, com foco especial na China, USA e Brasil. Incluindo players de supply chain, inovação, IoT e agência de publicidade. EXCEPCIONAL HABILIDADE EM ENTREPRENEURSHIP & TEAM WORK, com uma mentalidade de dono do negócio, construindo um novo negócio por si só e mantendo o melhor relacionamento com o time, enquanto inspira-os. Possui experiência em empresas como Eletrobras, Engevix, Intelbras, Grupo Rocket Internet. Incluem-se experiências na Europa e China. Atualmente é COO do Grupo Lógica-e detentora das marcas CIANOVE e LEsense – coleta de dados IoT.

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