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Pesquisadores do MIT desenvolvem barcos robóticos capazes de construir estruturas flutuantes de forma autônoma

A tecnologia abre caminho para uma nova geração de infraestrutura flutuante capaz de ser montada rapidamente em situações de emergência

Por: Redação CIMM       

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um sistema de barcos robóticos autônomos que podem se conectar entre si para formar diferentes estruturas flutuantes, como pontes, plataformas e palcos temporários, adaptando-se às necessidades de cada situação sem depender de controle humano constante. As informações foram divulgadas pelo MIT News.

Batizado de FloatForm, o projeto utiliza pequenos robôs quadrados de 21 centímetros de lado, equipados com propulsores, sensores e travas magnéticas que permitem a união e separação automática das embarcações. A tecnologia abre caminho para uma nova geração de infraestrutura flutuante capaz de ser montada rapidamente em situações de emergência, eventos temporários ou em ambientes urbanos com grande presença de canais e rios.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial (CSAIL) e do Senseable City Lab, ambos do MIT. Segundo Daniela Rus, professora de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do MIT e diretora do CSAIL, o objetivo é transformar áreas alagadas e frentes marítimas em extensões programáveis das cidades.

"Nossa visão é que embarcações autônomas possam se organizar sozinhas para criar pontes, plataformas e outras estruturas úteis sob demanda, ampliando as possibilidades para mobilidade, resposta a emergências, espaços públicos e infraestrutura sobre a água", afirma.

Comportamento das formigas-de-fogo

A inspiração para o sistema veio da natureza. Os pesquisadores reproduziram o comportamento das formigas-de-fogo, que conseguem sobreviver a enchentes formando jangadas vivas por meio da conexão entre seus próprios corpos, sem a necessidade de um líder coordenando o processo.


Ao contrário da maioria dos sistemas de robôs cooperativos, que dependem de um computador central para controlar todos os movimentos, o FloatForm distribui a inteligência entre os próprios robôs. Cada unidade toma decisões com base na posição de seus vizinhos imediatos, enquanto um sistema central atua apenas para definir a configuração final da estrutura.

Nos testes realizados no MIT, oito embarcações conseguiram se organizar repetidamente em diferentes formações, unir-se em uma estrutura rígida, desfazer a montagem e reorganizar-se em um novo formato. Depois, passaram a navegar como uma única embarcação. Todo o processo levou entre quatro e oito minutos.

Os pesquisadores afirmam que a arquitetura é altamente escalável. Simulações mostraram que o sistema pode operar com enxames de até 64 robôs mantendo praticamente o mesmo tempo de coordenação, já que o processamento ocorre de forma distribuída.

Além da flexibilidade, a união entre os robôs também aumenta a estabilidade da estrutura em ambientes com ondas e correntes, característica importante para futuras aplicações em ambientes reais.

Testes

O mecanismo de conexão utiliza uma estrutura inspirada em origami que aciona ímãs permanentes posicionados nas laterais de cada robô. O sistema consome energia apenas durante o acoplamento e o desacoplamento, permanecendo travado mecanicamente sem gasto adicional de bateria enquanto a estrutura estiver montada.

Nos experimentos, o sistema concluiu as missões sem intervenção humana em 90% dos testes com quatro robôs e em 70% das tentativas com oito unidades. Quando ocorriam falhas, os próprios robôs conseguiam recuperar a formação e retomar a operação.

Embora a tecnologia ainda esteja em fase experimental, os pesquisadores acreditam que ela poderá ser utilizada futuramente em cidades cortadas por rios e canais, como Amsterdã e Veneza, além de aplicações offshore, inspeção e manutenção de estruturas marítimas, monitoramento ambiental, operações de resgate e criação de plataformas temporárias em locais de difícil acesso.

Antes disso, será necessário ampliar a escala das embarcações e adaptar o sistema para operar em ambientes com ondas mais intensas, substituindo os sensores utilizados em laboratório por tecnologias como GPS e sistemas de visão computacional.

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