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Canal Indústria 4.0

Industrial AI exige maturidade operacional antes da tecnologia, avaliam especialistas do Brasil e da Itália

Debate promovido pelo Canal Indústria 4.0 após a Hannover Messe 2026 aponta que dados, governança e definição clara dos problemas de negócio são os principais fatores para transformar inteligência artificial em resultados concretos na manufatura

Por: Redação Grupo CIMM      Exclusiva  

A conversa começou nos corredores da Hannover Messe 2026, realizada em abril, na Alemanha. Em meio às reuniões, visitas aos estandes e apresentações de tecnologias, um encontro entre representantes dos ecossistemas de inovação industrial do Brasil e da Itália acabou se transformando em um debate sobre um dos principais temas da indústria atualmente: como transformar a inteligência artificial em valor real para a manufatura.

Na ocasião, Antonio Conati Barbaro, cofundador e COO da Alleantia, foi um dos Industry Experts convidado pela ApexBrasil, com organização da Bcome.global, sob e mediação de Claudio Goldbach, para avaliar os pitches de diversas indtechs brasileiras durante a Hannover Messe 2026, edição que teve o Brasil como país parceiro oficial. A conversa iniciada durante a feira foi retomada semanas depois no webinar Industrial AI Beyond the Buzz: Brazil & Italy Perspectives after Hannover Messe 2026, promovido pelo Canal Indústria 4.0 em parceria com a Bcome.global e a Allentia, reunindo também Goldbach, fundador da Bcome.global, conselheiro de inovação e transformação industrial, e colunista do Canal Indústria 4.0.

Ao longo do debate, os especialistas defenderam que a geração de valor com inteligência artificial começa antes da própria tecnologia, exigindo operações preparadas, dados de qualidade e uma estrutura consistente de governança.

IA beyond the buzz

Durante o debate, os convidados concordaram que a inteligência artificial já demonstra potencial para aumentar produtividade, apoiar a tomada de decisão e otimizar processos industriais. No entanto, ressaltaram que muitas organizações ainda iniciam projetos de IA antes mesmo de resolver questões fundamentais, como integração de sistemas, qualidade dos dados e governança da informação.


Para Claudio Goldbach, um dos principais equívocos é iniciar a jornada pela tecnologia e não pelo problema de negócio. "A IA é uma possível solução para um problema. O primeiro passo é entender qual é esse problema. Em alguns casos, ela nem será a melhor solução", disse no webinar.

Antonio Conati Barbaro compartilhou uma visão semelhante ao destacar que o maior obstáculo encontrado nas fábricas atualmente está menos na tecnologia e mais na forma como as empresas estruturam seus dados e informações industriais.

Segundo ele, muitas empresas possuem grande quantidade de informações geradas pelas operações, porém ainda não conseguem utilizá-las de forma estruturada. Antes da adoção da inteligência artificial, explicou, é necessário evoluir em conectividade, interoperabilidade, governança e conhecimento sobre os próprios dados produzidos pela fábrica.

Impactos da popularização da IA

Os especialistas também discutiram como a popularização de ferramentas de IA generativa, especialmente após a chegada do ChatGPT, aproximou executivos industriais da tecnologia. Na avaliação de Goldbach, esse movimento aumentou o interesse das lideranças industriais, mas também estimulou projetos conduzidos mais pelo entusiasmo do mercado do que pela geração de valor para o negócio.

Para ele, a indústria já viveu situação semelhante durante os primeiros anos da Indústria 4.0, quando muitas empresas buscavam implantar tecnologias sem uma estratégia clara para solucionar desafios operacionais.

Embora ainda exista um longo caminho para a adoção em larga escala, os participantes também apresentaram exemplos de aplicações que já demonstram potencial ou vêm sendo utilizadas na indústria. Entre elas estão sistemas de inspeção automática de qualidade, otimização energética, apoio à decisão baseado em dados industriais e algoritmos para melhoria do desempenho produtivo.

Conati apresentou o caso de uma indústria italiana que primeiro investiu na construção de uma plataforma integrada de dados industriais. Com essa base consolidada, a empresa passou a reunir condições para testar casos de uso de inteligência artificial para otimização da produção, eficiência energética e solução de problemas específicos da operação.

Brasil & Itália

Outro tema abordado foi a comparação entre os ecossistemas industriais brasileiro e italiano. Embora ambos avancem na adoção da inteligência artificial, os especialistas destacaram que os desafios variam conforme a realidade de cada mercado.

Antonio Conati Barbaro observou que, na Itália, a predominância de pequenas e médias empresas limita a capacidade de investimento em transformação digital e na adoção de novas tecnologias. Ainda assim, afirmou estar otimista quanto ao papel da IA na manufatura, especialmente como ferramenta para ampliar a produtividade e apoiar operadores, gestores e líderes industriais.

Claudio Goldbach, por sua vez, reforçou que a inteligência artificial deve ser incorporada como parte da evolução da Indústria 4.0 e orientada pela resolução de problemas reais do negócio.

Para ele, independentemente do país ou do estágio de maturidade das empresas, a geração de valor depende de objetivos claramente definidos e de uma base consistente de dados para sustentar as aplicações de IA.

Ao projetarem o futuro da Industrial AI, os participantes avaliaram que a próxima edição da Hannover Messe deverá apresentar menos demonstrações conceituais e mais evidências de geração de valor.

A expectativa é que o debate evolua da promessa tecnológica para a apresentação de casos concretos de aumento de produtividade, eficiência operacional e retorno sobre investimento obtidos pelas empresas que conseguiram construir uma base sólida de dados, conectividade e governança industrial.

Confira o webinar na íntegra, mediado pela editora-chefe do Canal Indústria 4.0, Karina Pizzini; realizado na última terça-feira (23):

 

 

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