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Supply chain do futuro: as principais tendências para o setor até 2030

Pesquisa mostra como a cadeia de suprimentos vai se tornar ainda mais dependente da tecnologia, dos armazéns ao transporte

Por: Stefani Ceolla, Jornalista Especial Grupo CIMM      Exclusiva  

A dependência de tecnologias consolidadas e emergentes é a grande aposta de líderes de supply chain, conforme a pesquisa “Insight 2030: Oportunidades e Desafios para a Cadeia de Suprimentos do Futuro”, encomendada pela empresa DHL. Dos armazéns ao transporte, passando pela inteligência artificial à robótica, essa adaptação vai exigir investimentos robustos, já previstos por quem atua no setor, conforme a pesquisa. 

O estudo constatou que a maioria dos participantes espera se tornar mais dependente de tecnologias-chave nos próximos cinco anos. A expectativa é que, ao ampliar a automação, a inteligência e a conectividade, as organizações consigam eliminar ineficiências, melhorar a previsibilidade e ter maior agilidade.

Mais de 70% dos participantes esperam impactos da inteligência artificial, dos avanços em transporte, da robótica e da Internet das Coisas (IoT) nas cadeias de suprimentos nos próximos anos. 

“Se essas tecnologias continuarem a avançar conforme o esperado, as cadeias de suprimentos evoluirão para sistemas mais inteligentes e interconectados, nos quais IA, robótica e IoT atuarão de forma integrada para viabilizar fluxos de materiais mais previsíveis, apoiados por transporte de menor custo e menos emissões”, pontua a DHL, que contratou a pesquisa.

No entanto, para que as organizações concretizem essa projeção, será necessário enfrentar os desafios que acompanham o aumento da dependência tecnológica, incluindo um ambiente tecnológico complexo e em constante evolução, a requalificação da força de trabalho, a gestão das implementações sem causar interrupções nas operações, a integração e a gestão de dados, além da cibersegurança, aponta a pesquisa.

Tecnologias que devem impactar a cadeia de suprimentos até 2030

  • 78% machine learning, análise preditiva e genAI
  • 76% avanço em tecnologia de transporte 
  • 73% armazéns automatizados / robótica
  • 71% internet das coisas 

Quatro tendências tecnológicas para os próximos anos 

1 - IA ainda mais avançada

Os participantes da pesquisa demonstraram maior otimismo em relação ao impacto da inteligência artificial do que de qualquer outra tecnologia. Cadeias de suprimentos complexas e dinâmicas apresentam casos de uso potenciais para tecnologias de IA para melhorar o controle dos estoques, automatizar processos de transporte e aumentar a retenção. Com a expectativa de avanços contínuos nas capacidades da IA, o potencial dessa tecnologia na cadeia de suprimentos será amplo e profundo, acreditam os entrevistados.

2 - Transporte autônomo e de baixas emissões

O transporte responde por uma parcela importante dos custos da cadeia de suprimentos e do impacto ambiental, o que faz com que os avanços em tecnologia neste setor tenham potencial para gerar reduções significativas de custos e de emissões. Caminhões autônomos podem se tornar comuns em rotas entre hubs onde o tráfego é previsível. “Do ponto de vista tecnológico, o transporte é o gigante adormecido da cadeia de suprimentos. Os avanços ainda não tiveram o mesmo impacto que a robótica em armazéns, mas prometem ser igualmente transformadores em sua capacidade de aumentar a produtividade, ao mesmo tempo em que enfrentam diretamente a principal fonte de emissões da cadeia de suprimentos”, avalia Jim Monkmeyer, presidente de Transporte & LLP da DHL Supply Chain América do Norte.

3 - Expansão do uso da robótica

O uso de robótica em processos intensivos em mão de obra, como a separação de pedidos, cresceu significativamente nos últimos anos e ajudou a aliviar os desafios de trabalho gerados pelo crescimento do e-commerce. Novas soluções também estão surgindo para aplicações fisicamente exigentes, como o manuseio de caixas e a paletização. À medida que essas implantações avançam, mais unidades passarão a operar múltiplos sistemas robóticos, aponta a pesquisa.

4 - Maior conectividade

As tecnologias de Internet das Coisas (IoT) já proporcionaram melhorias operacionais e de nível de serviço significativas por meio do rastreamento em tempo real e do controle de estoques. Para a DHL Supply Chain, as soluções de IoT viabilizam o rastreamento de ativos, a segurança das cargas, o monitoramento de temperatura, entre outras funções. Olhando para o futuro, espera-se que os próximos cinco anos tenham uma integração mais profunda de IoT com IA e análises avançadas, permitindo fluxos de materiais mais eficientes e previsões de demanda mais precisas.

Implementação em empresas brasileiras

A professora Regina Meyer Branski, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), avalia que, em relação a estas tendências tecnológicas, “o Brasil é um mercado de contrastes”: “Temos ‘ilhas de excelência’, especialmente no agronegócio e no e-commerce, com operações que rivalizam com as melhores do mundo”. 


Ela pondera, porém, que “grande parte do mercado nacional ainda se encontra na fase de digitalização pontual. Muitas empresas brasileiras ainda não operam sistemas em tempo real e carecem de uma integração profunda com seus fornecedores e clientes finais”.

Especialista em logística, Regina cita bons exemplos nacionais e internacionais de integração tecnológica na cadeia de suprimentos: “a Adidas, com suas speedfactories, usa robótica e impressão 3D para produzir sob demanda, reduzindo estoques e desperdícios. No Brasil, empresas como Ambev e Mercado Livre são referências consolidadas. Ambas utilizam IA para prever demanda e posicionar os produtos nos centros de distribuição mais próximos do cliente final”.

Outro exemplo no Brasil é o Magazine Luiza. Entre 2016 e 2020, a empresa implementou seu primeiro ciclo de digitalização, deixando de ser uma varejista tradicional para se consolidar como uma plataforma digital multicanais. Esse movimento incluiu a expansão do e-commerce, a completa integração de lojas físicas e canais digitais, o lançamento da plataforma de marketplace e o desenvolvimento de uma infraestrutura tecnológica e de logística.

Dentro desta estratégia, foi lançada a Magalog, uma plataforma criada a partir da unificação de cinco empresas que atualmente se posiciona como um dos maiores operadores logísticos do Brasil. Com uma rede de 21 centros de distribuição e uma malha logística integrada, viabiliza entregas mais rápidas, além de oferecer soluções como coleta, armazenamento e transporte. 

Outro caso é o da Vale, que em 2024 lançou um programa para transformação digital da sua cadeia de suprimentos. O objetivo é remodelar os processos de compras através de novas tecnologias e da simplificação de processos. A mudança é desenvolvida em parceria com um grupo de empresas: Accenture, Coupa, Procurement Garage, Beroe, Sievo, Linkana e CH Master Data. 

Utilizando tecnologias como inteligência artificial e machine learning, a Vale busca potencializar o volume de compras autônomas. O programa prevê ainda a integração de big data e informações de mercado. A implementação completa está prevista para ser concluída em 2026, e deve substituir mais de 20 sistemas. Além disso, mais de 90 controles serão automatizados. 

“Tem muita empresa que já opera muito próxima desse modelo ideal de digitalização, e o ponto que percebo em comum não é só a tecnologia, é principalmente a integração. São organizações que conectam dados de fornecedores com transporte, estoque, que têm previsibilidade de demanda quase que em tempo real. Elas usam automação, IA, para prever cenários, e assim se consegue tomar decisões mais rápidas e mais inteligentes”, conta Bia Rodrigues Carvalho, especialista em Logística, Tecnologia e Inovação. 

Ela acrescenta que “essas empresas não substituíram pessoas por tecnologias: elas estão mudando o papel das pessoas”.

Sobre a pesquisa

A DHL contratou a W5, empresa independente, para conduzir a pesquisa quantitativa on-line com 350 executivos de cadeia de suprimentos e líderes empresariais da América do Norte em 2025. 

A pesquisa “Insight 2030” teve como foco líderes de empresas de grande porte, com faturamento anual superior a US$ 1 bilhão, mas também esteve aberta a executivos C-level de grandes empresas com receita anual entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. 

*Imagem de capa: Depositphotos.com

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