Fiesc lança plano para renovar a indústria e a economia

Por: NSC Total 12/05/2020  

Com o fórum virtual New Deal, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) apresentou na manhã desta sexta-feira, dentro das comemorações dos seus 70 anos, o Projeto Travessia – Indústria, a arte de transformar. O objetivo é tornar o Estado uma referência mundial de desenvolvimento, crescimento e valor agregado. O presidente da federação, Mario Cezar Aguar, explicou que o projeto é inspirado no plano que recuperou a economia dos Estados Unidos da depressão dos anos de 1930 e que é importante identificar oportunidades apontadas pela atual pandemia para reindustrializar o Brasil. 

Palestrantes do fórum: Andrea Lima (acima, à esq.),Mario Aguiar, Harry Schmelzer, Amélia Malheiros,Eric Santos
e Martus Tavares Foto: Filipe Scotti, Fiesc

Além da apresentação do novo projeto pelo diretor de Inovação da Fiesc, José Eduardo Fiates, o evento contou com palestras de líderes de empresas catarinenses que têm atuação global: Andrea Salgueiro Cruz Lima, da Whirlpool; Fernando Cestari de Rizzo, da Tupy; Eduardo Sattamini, da Engie Brasil Energia; Amélia Malheiros, da Fundação Hermann Hering, Harry Schmelzer Jr, do Grupo Weg; Eric Santos, da Resultados Digitais; e Martus Tavares, da Bunge Brasil.  

Ao abrir o evento, Aguiar afirmou que é preciso planejar o futuro, mas o Brasil precisa resolver problemas crônicos que emperram a economia como o excesso de burocracia, falta de infraestrutura e o grande tamanho do Estado. 

- Precisamos fazer uma reengenharia do país, esse modelo de desindustrialização se mostrou equivocado. Nós transferimos muito da nossa manufatura para a China e isso tem, talvez, a explicação da elevada taxa de desemprego que tínhamos no país antes da pandemia, em torno de 12%. Essa não era a realidade de Santa Catarina, que tinha a menor taxa de desemprego do país, próxima de 5,8%, muito por conta de ser um Estado industrializado – explicou Aguiar. 

Acreditar no impossível

Ao apresentar o Projeto Travessia, o diretor de Inovação e Competitividade da Fiesc, José Eduardo Fiates, explicou que o nome foi inspirado no clássico poema Tempo de Travessia, de Fernando Pessoa. Ele falou sobre o caráter disruptivo da atual situação no mundo e que o objetivo é tentar manter o foco na saúde e buscar o equilíbrio que permita a retomada do crescimento. O objetivo do projeto é fortalecer os setores econômicos catarinenses e identificar novos, com ênfase na tecnologia e inovação. Sobre como desenvolver, Fiates recorreu a uma frase filosófica conhecida:


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- Temos que acreditar no impossível. É possível fazer o impossível – afirmou. 

Impacto no consumo - Whirlpool

O mercado de bens de consumo durante a pandemia foi o foco da presidente da Whirpool, Andrea Salgueiro Cruz Lima. Segundo ela, situação atual está provocando mudanças permanentes na forma de consumo. 

Entre as tendências anotadas pela empresa estão a busca de produtos de valor mais acessível, maior consumo de produtos e serviços online (as compras online de bens duráveis subiram de 20% para quase 50% durante a pandemia no Brasil), maior engajamento com mídias sociais e consumo de informação online, mais tempo no lar, estudo a distância e o trabalho flexível, mudança na forma de consumo em lojas e impactos na área de responsabilidade social.  

Fornecedor ocidental - Tupy

Entre as mudanças pós-pandemia que podem favorecer companhias globais com tecnologia de ponta como a Tupy, de Joinville, estão a repatriação de manufatura e as tensões geopolíticas. Essas são oportunidades vistas pelo presidente da Tupy, Fernando Cestari de Rizzo, um dos palestrantes do fórum da Fiesc. Segundo ele, em função disso, empresas brasileiras podem ser fornecedores importantes para a América do Norte e Europa.

Com matriz em SC, filiais no México e Europa, a Tupy fechou 2019 com receita líquida de R$ 5,2 bilhões, e com aquisição que está fazendo de empresa da Fiat-Chrysler, chegará a R$ 7,5 bilhões. Dos 14 mil empregos diretos que oferece, 8,5 mil estão em Joinville, onde também emprega 1,5 mil terceirizados. 

Desafios na energia - Engie

O presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, informou que a pandemia derrubou em 14% o consumo de energia no país, afetando todos os setores, mas que a expectativa é de recuperação no ano que vem. Segundo ele, as distribuidoras de energia estão enfrentando maiores dificuldades porque compraram energia e o consumo não está acontecendo no volume esperado, o que está gerando uma crise. 

Conforme Sattamini, é necessária uma solução rápida porque há falta de liquidez. O setor está negociando com o Ministério das Minas e Energia um programa de financiamento para resolver esse problema. Além disso, o setor avalia que é necessária uma discussão sobre custos sobre energia. 

Inovação têxtil - Hering

 A presidente da Fundação Hermann Hering, Amélia Malheiros, falou sobre o setor têxtil e de moda, o que mais emprega na indústria catarinense. Ela defendeu maior uso da nanotecnologia para ter tecidos inteligentes, inclusive os que protegem a saúde, avanços que poderiam ser alcançados em conjunto com outros setores. Para ajudar nos impactos da pandemia, o setor lançou a campanha #euvistoBrasil.  

Segundo ela, o setor é o que mais emprega na indústria catarinense, respondendo por cerca de 18% a 19% das vagas do país que estavam em 1,5 milhão antes da pandemia. Isso significa que em SC o setor respondia por 270 mil vagas. Além disso, o setor é referência em dois pontos: do total de vagas que oferece, 75% são para mulheres e é o segundo do país na oferta do primeiro emprego. 

Ajustes e indústria 4.0 - WEG

O presidente da WEG, Harry Schmelzer, dividiu a apresentação em dois tópicos: ações do país para enfrentar a pandemia e inovações da empresa que dirige. Segundo o executivo, a ajuda financeira que o governo está oferecendo às empresas privadas não está chegando porque os bancos privados estão cobrando muito spread e exigindo garantias excessivas. Se não mudar isso, haverá muito mais desemprego. O executivo sugeriu também que o parlamento aprove plano de redução de jornada e de salário ao setor público, porque não é justo só o trabalhador privado sofrer perdas nessa crise. Plano assim permitiria ao setor público economizar R$ 50 bilhões, prevê. 

Sobre a WEG, ele disse que a companhia fundada em 1961 é hoje a principal fornecedora de sistemas de energia, tecnologias para energia limpa e sistemas de automação empresarial. O foco da empresa no futuro é mobilidade elétrica urbana para ônibus e caminhões e soluções para a indústria 4.0 (Internet das coisas). 

Soluções pela tecnologia – Resultados Digitais

As empresas de tecnologia estão sendo fundamentais para acelerar a digitalização da economia nessa crise, afirmou o CEO da Resultados Digitais, Eric Santos. Ele também alertou que as empresas do setor, especialmente as pequenas, estão com muitas dificuldades para ter acesso a linhas de crédito oferecidas para esse período da pandemia, porque têm dificuldades em oferecer garantias. 

De acordo com Eric Santos, há insegurança jurídica também nas medidas para preservação do emprego, o que tem motivado mais fechamentos de postos de trabalho. Sobre o futuro do setor em que atua a Resultados Digitais, o empresário afirmou que o marketing digital orientado a resultados vem ganhando força porque cada vez mais há negócios online acontecendo. 

Impacto nos alimentos - Bunge

O vice-presidente da Bunge Brasil, Martus Tavares, que é ex-ministro do Planejamento, disse que a empresa manteve suas atividades desde o início do isolamento por estar no grupo de setores essenciais. A Bunge também aderiu ao grupo que prometeu manter todos os empregos. Quanto à evolução da pandemia no Brasil, o ex-ministro mostrou preocupação com a indiferença e falta de apoio da população na preservação da saúde em função do coronavírus. Em muitas comunidades, se vive como se nada estivesse acontecendo, alertou. 

Sobre os impactos da pandemia no comportamento das pessoas, ele disse que o setor de alimentos é menos afetado, mas vem registrando mudanças também.

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